O grande show está nas pessoas: memória, cultura e pertencimento no Guará (2026)
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A consulta pública para nomear os espaços culturais reformados é um marco importante. Foram homenageados a professora Sônia Dourado, o colecionador Ricardo Retz e a bibliotecária Maruska Techmeier Morato – grandes nomes que fizeram história.
25 de março de 2026.
mário pazcheco
O momento também foi seu, meu e nosso – e meus dedos querem esmagar o teclado, fazer sangrar palavras.
Ontem ocorreu a sessão da audiência pública que referendou os nomes de moradores do Guará in memoriam para os equipamentos públicos: Sônia Dourado, para a Casa da Cultura; Ricardo Retz, para o Teatro de Arena; e Maruska Techmeier, para a Biblioteca Pública.
A sessão foi mediada e conduzida pela voz firme de Rafael Souza – e são necessárias palavras fortes para descrever sua desenvoltura e segurança. A mesa diretora foi composta por oito pessoas. Entre os depoimentos mais marcantes, destacaram-se os de Vitelli e Luciano Monteiro.
O cerne da questão estava na composição heterogênea dos votantes. Não adianta reivindicar espaço apenas pelas redes sociais: o que vale, o que permanece, é o que está registrado na lista de presença e nos votos.
O público era essencialmente guaraense raiz – gente que se reconhece, que se cruza na história: Nardelly, do Sindicato do Reggae; Daniel Pedro, do teatro de quadra, entre tantos outros.
E, postumamente, a grande vedete da noite foi a professora e militante cultural Sônia Dourado. O tributo foi tão convincente que fez reviver em mim lembranças vívidas de sua atuação à frente da Casa da Cultura. Sônia tem fãs – e fãs exaltados.
De Ricardo Retz, homenageou-se também sua querida mãe, dona Dilma, presente à mesa.
Com o microfone aberto, o rapper GOG encerrou sua participação com um discurso cortante, lembrando que a arte não pode ser deixada de lado nem transformada em mero objeto de política.
Miguel Edgar abriu as falas destacando que o projeto foi chancelado e prontamente acolhido por Gabriel Magno, do PT. O partido também esteve representado por Lula Torres, que discorreu sobre sua boa relação política com Sônia Dourado. Rafael Souza frisou que o evento de homologação – um verdadeiro renascimento e batismo dos espaços – foi conduzido com a participação de lideranças comunitárias e políticas, sem interferências ou imposições ideológicas.
Foi isso: uma votação unânime que definiu os nomes como as novas placas de apresentação de equipamentos públicos fundamentais para a saúde intelectual da comunidade do Guará.
O grande show está nas pessoas – uma ocasião única que reuniu representantes da UVA, do Sindicato do Reggae e do Clube do Blues, entre outras agremiações culturais do Guará.
A voz e o violão de Esteve Jobs aqueceram o Sarau Kombinando Cultura e Ideias. Na sequência, a dupla Betto Tutu (violão) e Bell Morais (voz) fez uma apresentação amplamente reconhecida como excelente, arrancando pedidos de bis do público.

Lucy Ribeiro realizou a cobertura on-line do evento.
Outras pautas surgiram pelo caminho. O Clube do Blues, em audiência próxima com o administrador Artur Nogueira, propõe que a Praça das Árvores volte a se chamar Praça Honestino Guimarães, com a exibição de um filme em sua homenagem.
O Jornal do Guará prometeu um novo sistema on-line para seus colunistas, que, por meio de login, poderão postar comentários e fotos em tempo real diretamente das redes.
Também foram levantadas sugestões de nomes de cidadãos do Guará a serem homenageados em maio, mês de aniversário da cidade, na Câmara Legislativa.
E Julimar? Em sua nova missão como gerente de cultura, tenta sensibilizar a burocracia para que o atual auditório da Administração passe a ser reconhecido como teatro – e que, assim, o espaço interno volte a receber shows de qualidade, como no passado.
Desde a audiência pública de segunda-feira, Julimar – agora ainda mais motivado – não descansa.

Caminhos da cultura: representantes do Guará em um registro histórico.

