"Os Passos do Vazio": apresentações do livro de Johann Peer (2026)
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Apresentação
Professor Adson Brito do Velho
Foi com muita alegria que recebi o honroso convite do amigo, jornalista e agitador cultural, Johann Peer, para fazer a apresentação do seu "Os Passos do Vazio". Sempre fui admirador dos textos de Peer, mas a admiração cresceu mais ainda, quando tive contato com seu maravilhoso livro de contos e suspense. E haja suspense! Uma obra impactante que prende a atenção do leitor, do início ao fim. Uma forma criativa, inteligente que nos leva para "outros mundos", "outras realidades", tão bem exploradas por um escritor talentoso, que o Brasil precisa descobrir. Em "Passos do Vazio" nos faz olhar e mergulhar nos nossos vários, que muitas das vezes não temos coragem de enfrentar. E Johann Peer nos conduz, com muita firmeza, aos nossos labirintos existenciais. Além de uma excelente leitura, um convite. Um convite à uma reflexão sobre o ser e estar, aqui. Aqui e agora. E todos os aplausos para " Passos do Vazio". Deliciosamente impactante.
Prefácio
Escritor Cláudio Magalhães
O livro é escrito em dois gêneros literários: contos e dissertações. O autor usa sempre a terceira pessoa em todos os textos, quase nunca havendo diálogos, o que faz haver mais e mais detalhes sobre cada ato ou atitude dos personagens. Nesta tese, ele flutua em diversos estilos dentro da “fantasia”, abre com uma mistura de ficção científica e a distopia que utiliza a morte como carro-chefe para a felicidade, na verdade, o contrário, a morte deixa de ser temida, porque ele adquiriu os direitos sobre ela.
Uma coincidência, ao estar lendo o livro, mais precisamente, o conto Macabros Carnavais, a folia tipicamente brasileira, contada pelos olhos ardentes do mal, em frente de minha casa, há uma loja de umbanda e naquele momento eles estavam ensaiando batuques nos atabaques da loja, sinal de que havia uma atmosfera ímpar naquele momento. Coincidência? Não sei...
O livro realmente nos traz aqueles sentimentos de buscar uma nova página para ler, sendo que cada um dos textos... tem uma visão completamente diferente dos outros. O autor desfila em temas diversos dentro de um estilo marginalizado pela sociedade, a qual é a trinca terror/suspense/horror, também passeia na vida sexual de um caçador de sonhos, mostra religiosidade, também no gênero “dissertação” em Igrejas Macabras, além de citar a quebra de um grande tabu, a qual é a homossexualidade, no conto A Boneca, que também busca elementos na loucura de uma criança psicopata, no mesmo conto.
Muitos deles são apenas relatos da mente e que não têm uma história e sim frases contextuais que dizem e querem ser ditas. Vou citar o exemplo de A Voz da Morte e Igrejas Demoníacas, são palavras e frases tentando dizer o quanto todos nós já sabemos, mas é como se o autor desse uma cara nova para velhas frases, isso mostra que ele busca, de sua forma, mostrar que pode ser diferente.
Outra observação é a linguagem rica que ele usa em seus contos, foge do tradicional terror/horror e busca diversificar palavras mais ricas na compreensão e montagem das frases.
Um outro conto, também bem montado, O Vendedor de Corpos, e, me veio à cabeça o filme O Menino do Pijama Listrado, quando o corpo do pequeno menino, filho de um poderoso político é incinerado acidentalmente. Sei que não tem ligação, mas o diretor do hospital morre nas crueldades que ele mesmo criou. Coloco este texto como um de meus preferidos, além de Parto Macabro e A Promessa.
Fora as palavras já citadas, há uma outra coisa a ser mencionada. No caso do conto A Máquina de Escrever X Computador, o autor descreve a história de alguns fatos importantes da história antiga e debate a nova tecnologia do milênio.
Antropofagia e A Vingança de Dominga seguem uma linha de terror que todos contam nas rodas noturnas quando a família se reúne e as crianças gostam de ouvi-las para não conseguir dormir de noite, de tão assustadas que ficam. O Trem e O Grito e Madrugada Voraz também podem entrar nessa linha.
Passos no Vazio, o conto que dá nome ao livro, é um dos poucos contos em que o autor arrisca diálogos entre os personagens, interessante a dúvida que o conto deixa no fim, mas sem spoiler.
Importante ser dito: quando um escritor vem de uma determinada escola, no caso de Johann, a poesia, sempre há características marcantes, o que me refiro no conto Meu destino: o cheiro da terra molhada, marcada ainda pelas gotas de chuva, inunda meu olfato como se estivesse ainda na minha infância.
Para encerrar, li Corpos Sequestrados. Coloco naquela sequência de histórias contadas numa roda para assustar pessoas à noite. Interessante também este conto.
"Os Passos no Vazio" se compõe de 29 contos, alguns dissertativos, outros curtos e alguns, dois ou três, sobre a paixão do autor pelo "Blood Metal" em O Vendaval há citações musicais, lojas de discos, conservatórios, mas sempre com histórias de suspense por detrás.
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Do Editor deste site doprópriobolso
Sei lá, talvez seja apenas um abuso criativo da minha parte. Em uma breve correspondência de apenas uma linha com Johann Peer, arrisquei dizer que "Os Passos do Vazio" caminhava pelo mesmo clima gótico e psicológico das narrativas de Edgar Allan Poe — guardadas, evidentemente, as devidas proporções.
A comparação faz sentido mais pela atmosfera do que pela filiação direta. "Os Passos do Vazio" soa profundamente brasileiro. Há nele um certo espírito de Zé do Caixão, mas também uma aspereza própria, distante do refinamento vitoriano de Poe. Os contos de Johann Peer parecem nascer de um terreno mais árido e contemporâneo, como se pudessem ser lidos ao som de black metal ou death metal, sem que isso lhes retirasse a densidade literária.
O livro é enriquecido por três textos de apoio — quatro, se considerarmos a própria capa. Nela, um personagem encontra-se numa encruzilhada, hesitando entre subir ou descer uma escadaria, imagem que sintetiza o universo de escolhas, incertezas e mistério presente na obra. Em seguida, um breve poema do próprio autor introduz o leitor em seu imaginário surreal e enigmático.
A apresentação assinada pelo Velho Professor, declarado admirador da literatura de horror e de "Os Passos do Vazio", funciona como um convite à leitura. Já o prefácio do escritor Magalhães procura evitar spoilers, embora apresente um panorama da coletânea, enumere os contos e estabeleça comparações que ajudam a situar a obra no cenário da literatura fantástica contemporânea.
O que encontro em "Os Passos do Vazio" é um vigor renovador. Johann Peer dialoga com uma tradição que passa por Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Álvares de Azevedo e José Mojica Marins, mas a transporta para um imaginário brasileiro, onde horror, terror e suspense parecem fazer parte do cotidiano. Em um país marcado por tantas inquietações sociais, existenciais e culturais, seus contos demonstram que há uma nova literatura fantástica surgindo, capaz de renovar um gênero que durante muito tempo permaneceu à margem da produção nacional.


