CARTA ABERTA A PAULO TOVAR (2009)


 Carta Aberta a Paulo Tovar
   Joanfi
   Prezados amigos e amigas desse escriba de butiquim: 
   Amigas e amigos do querido Paulo Tovar

   31 mar. / 2009 – Estive com o nosso querido Tovar neste último fim de semana, na casa do seu irmão, lá em Catalão, no grande sertão de Goiás. O camarada 'Tovarishe' nos recebeu, a mim e ao Joka Pavaroti, com seu sorriso largo e seu abraço terno e apertado, com a emoção de quem resgata uma saudade de longa data, pois havia mais de ano que não nos víamos. Joka Pavaroti e eu conversamos muito com ele, mesmo ele apenas nos ouvindo, sorrindo, e às vezes gargalhando, ainda que não conseguisse falar e estivesse muito debilitado pelo tratamento contra a doença, pelo cortisona, a quimioterapia. Chegamos a sair com ele, por duas vezes, até a padaria e confeitaria da esquina de sua rua, no sábado, e para o mirante no morro mais alto de Catalão, no domingo, mesmo com ele andando com muita dificuldade, e ficando a maior parte do tempo sentado no carro, sorrindo com a nossa conversa. Eu e o Joka tentamos criar um clima de disputa pela música escolhida no carnaval deste ano do Pacotão, eu tentando demonstrar que o Pavaroti tinha feito uma marmelada completa para conseguir ganhar o concurso, enquanto ele me vilipendiava como invejoso, despeitado e outras calúnias maiores. O Tovar se divertia com a história e nos abraçava muito, nos apertava a mão o tempo inteiro, nos olhando nos olhos, com o seu rosto inchado pelo cortisona, mais cheio de ternura e amor pra dar.

   Acho que o Tovar está sentindo saudade dos amigos, e que a nossa visita foi muito revigorante e emocionante para ele, pois tentamos passar toda a nossa energia, a nossa estima e o nosso amor por ele, sorrindo, abraçando-o, apertando-lhe a mão e cantando para ele, que ama tanto a vida, a música, e fez da mistura dessas duas a sua razão de viver. O Tovar precisa ainda de repouso para continuar seu tratamento, mas acredito que a nossa visita lhe deu uma reenergizada, uma alegria, um conforto e a cumplicidade de celebrar conosco as histórias que relembramos. Para mim e Joanfi, a visita foi uma lição de vida, de luta, de dignidade, amor à vida, à arte, aos filhos e aos amigos que o camarada e grande guerrilheiro nos deu.

“Que Deus dê muita saúde e vida longa para o Paulo Tovar, são nossos votos!” (Paulão de Varadero)


Joanfi
Amigas e amigos, faço minhas as palavras de Paulão. ‘Tovarishe’ me ensinou, e nos ensina muito, em sua luta contra a doença maldita. Já quase sem voz, parcos movimentos, fala com os olhos. Estendendo a mão, nos afaga e nos presenteia com um sorriso silencioso, quase feliz. Ao carinho do irmão, que lhe dedica todas as horas, ele retribui com beijo carinhoso. Ao abraço afetuoso do sobrinho querido, ele aperta-lhe as mãos, e faz cócegas na barriga. Vi seus olhos, por trás dos óculos, verter uma lágrima em direção ao pequeno Felipe, que brincando no computador ignora, e dá bolas à tragédia. Gestos simples de alguém que não perdeu a poesia, nem a vontade de viver. Fui a Catalão visitar um amigo doente, encontrei um guerreiro travando a mais feroz batalha pela vida. Voltei convicto: Tovar vai vencer, vai viver, vai cantar. Seu carinho, seu sorriso, sua gargalhada e o carinho com que é cercado pelos seus são remédio milagroso, o melhor tratamento.
Na casa goiana, grande, cercada de flores, no quintal muitas árvores, frutas e pássaros, e muito, muito carinho, ‘Tovarishe’ descansa.
Uma confidência do irmão, quase um segredo: Em tardes incertas, uma Juriti vem cantar no quintal da casa, perto da janela do quarto de Tovar. Não espalhem, eu acho que é Deus, acho não, tenho certeza!

 

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