Alice Cooper, Andy Warhol e a Cadeira Elétrica Vermelha (1972)

LEIA O CAPÍTULO DOIS DA MINISSÉRIE EXCLUSIVA DE RICHARD POLSKY SOBRE O MUNDO DA AUTENTICAÇÃO DE ANDY WARHOL.

Capítulo Dois

https://www.myartbroker.com/collecting/articles/i-authenticated-andy-warhol-chapter-two

DURANTE A DÉCADA DE 1970, quando o jornalismo musical começou a se tornar um empreendimento sério, havia três revistas que cobriam a cena nascente do rock: Rolling Stone, Creem e Circus. A Rolling Stone era o padrão de ouro. Mas, pelo menos por um curto período, Creem e Circus também tinham relevância.

Shep Gordon soube de uma edição da Circus que trazia uma matéria de capa intitulada “Alice Cooper Beats the Devil”, que supostamente incluía uma fotografia da pequena cadeira elétrica vermelha (Little Electric Chair). Eu esperava que isso confirmasse que Alice possuía seu Warhol pelo menos desde meados dos anos 1970. Felizmente, consegui encontrar uma cópia no eBay. A matéria estava cheia de fotos bizarras, incluindo uma de tarântulas vivas rastejando sobre um Alice gritando. Mas não consegui encontrar uma ilustração do Warhol. Até que cheguei à frase:

"Na sala de estar de Coop, ao lado de um pôster de Alice acenando com algo ensanguentado (o único artefato em sua casa de seu show) pendia uma gravura de Andy Warhol de uma cadeira elétrica solitária."

Bingo.
Ainda assim, eu queria uma verificação adicional. Usando suas conexões no mundo do rock, Shep Gordon descobriu que o autor do artigo, Steve Rubenstein, trabalhava atualmente no jornal da minha cidade natal, The San Francisco Chronicle. Liguei para ele e perguntei se se lembrava de ter feito a entrevista com Alice. Ele hesitou antes de responder:

"Lembro-me de conhecer Alice — que foi muito simpático — mas não tenho ideia do que estava pendurado em suas paredes."

“Você tem certeza de que não se lembra de ter visto um Warhol?” perguntei, guiando a testemunha.
"Não — não me lembro de ter visto. Isso foi há mais de quarenta anos!"

Me encostei na cadeira, mas me animei quando Steve acrescentou:
"Mas posso dizer uma coisa — se eu escrevi, então é verdade!"

Comecei a pensar em Alice Cooper. Meus pensamentos voltaram a 1972, quando Alice recebeu a Little Electric Chair como presente. Na época, eu era estudante do terceiro ano do ensino médio, morando em um subúrbio de Cleveland, Ohio — e Alice Cooper já era uma superstar internacional. I’m Eighteen, School’s Out e No More Mr. Nice Guy lideravam as paradas. Já haviam se passado dois anos desde a separação dos Beatles. Os Rolling Stones e o Led Zeppelin estavam no auge da popularidade. Ao mesmo tempo, surgia um som mais suave liderado por Crosby, Stills & Nash, Eagles e James Taylor. E então havia Alice.

A reputação de Alice Cooper se baseava tanto em chocar o público quanto na música. Entretanto, quanto mais bem-sucedido Alice se tornava, menos chocante ele parecia. Com o tempo, quase se tornava mainstream. Os pais não o odiavam mais. Ainda assim, seus fãs continuavam a exigir sua marca única de teatralidade. O que recebiam eram figurinos extravagantes, maquiagem assustadora, cobras vivas... e uma cadeira elétrica. Quando Alice começou a usar uma cadeira elétrica falsa como adereço de palco — “eletrocutando-se” durante o show — poucos faziam a conexão entre ele e Andy Warhol.

Em 1972, a equipe de gerenciamento de Alice, liderada por Shep Gordon, já havia levado seu ato para o “grande circuito”. Embora a indústria do rock estivesse longe de se tornar o gigante corporativo que seria mais tarde, o dinheiro chegava em abundância. Quando a namorada de Alice, Cindy Lang, pediu a Shep um empréstimo de US$ 2.500 para comprar um presente de aniversário, ele prontamente concedeu. Na época, a Factory de Warhol passava por mudanças profundas. Apenas quatro anos antes, ele havia sido atacado a tiros por Valerie Solanas, e esteve perigosamente perto da morte. O triste é que seu trabalho, que antes beirava o gênio, nunca mais seria o mesmo. Andy Warhol perdeu sua ousadia. Com poucas exceções passageiras — os Maos (1972-73) e os Fright Wig Self-Portraits (1986) — a faísca havia se apagado.

A Factory original era um ponto de encontro famoso para tipos criativos e marginalizados. A mídia sensacionalizou o Velvet Underground, os chamados “Superstars” de Warhol e as festas extravagantes que reuniam celebridades e drag queens. Mas em poucos anos, a Factory se desintegrou a ponto de Ivan Karp, o marchand que descobriu Warhol, se recusar a ir lá. Como ele disse: “Achei toda a cena sombria.”

Pouco se sabe sobre os primeiros procedimentos comerciais do estúdio de Warhol. Basicamente, não havia gestão formal. Paul Morrissey, que dirigia os filmes experimentais de Warhol, assumia nominalmente quando alguém queria comprar algo. O problema era que havia muito dinheiro em espécie e pouca documentação. Warhol também trocava pinturas por serviços — os acordos eram registrados de forma vaga. Por exemplo, seu advogado dos ANOS 1960, Si Litvinoff, entregou uma conta a Andy e foi literalmente informado: “Há um monte de telas sem esticar ali — escolha o que quiser.” Litvinoff pegou uma pintura da série Flowers, um valioso Silver Marlon (Brando), e algumas outras. Até hoje não sabemos quem eram essas “outras”.

Quando Cindy Lang apareceu para comprar uma pintura, Andy Warhol já havia contratado Fred Hughes como seu primeiro gerente oficial. Andy conheceu Hughes alguns anos antes através de Jean e Dominique de Menil, patronos de arte de Houston. Logo Andy e Fred se conectaram, e Hughes passou a organizar os negócios da Factory: eliminando figuras improdutivas, organizando o escritório, cuidando de investimentos, contatos com colecionadores europeus e ajudando Andy a lançar a revista Interview, que aumentou sua fama e renda.

Em 1972, Warhol começou a grande série dos Maos, incorporando pintura manual sobre imagem serigráfica. Era um ato subversivo e decorativo quando colecionadores penduravam um Mao em casa. Nesse contexto, Cindy Lang comprou a Little Electric Chair para o 24º aniversário de Alice. Ela saiu da Factory com a tela vermelha enrolada em um tubo de papelão pesado. Alice adorou o presente, mas só pendurou anos depois, pois estava em turnê.

Nos anos 1970, o mundo da arte e do rock estavam em expansão, e Andy Warhol era o centro gravitacional, atraindo diversas figuras para seu círculo. Patti Smith, em Just Kids, descreve a importância de Warhol em sua formação artística e musical. Andy também se aproximou de músicos famosos, como Mick Jagger, com quem trabalhou no design da capa do álbum Sticky Fingers (1971). Warhol criou o famoso detalhe do zíper real colado no jeans, que se tornou icônico.

O sucesso do projeto Sticky Fingers aproximou Warhol e Mick Jagger. Em 1975, Warhol produziu uma série de oito retratos de Mick, além de 10 serigrafias em edição limitada, assinadas por ambos. 1975 também foi um ano importante para Alice Cooper: ele conheceu Sheryl Goddard, dançarina de sua turnê Welcome to My Nightmare, e se casaram em 1976 — permanecendo juntos até hoje. Nesse período, a Little Electric Chair vermelha voltou a circular na história de Alice e Warhol.

Quem é:

Richard Polsky iniciou sua carreira no mundo da arte em 1978 como diretor de galeria e abriu sua própria galeria, Acme Art, em 1984. A Acme Art sediou exposições notáveis, incluindo as de Ed Ruscha, Joseph Cornell, Bill Traylor e Andy Warhol. Em 1988, Polsky passou a atuar como negociante de arte privado, função que mantém até hoje.

Ele é autor dos livros I Bought Andy Warhol e I Sold Andy Warhol (too soon), sendo que o primeiro foi destaque na NPR e o segundo recebeu resenha no Wall Street Journal. Polsky também publicou The Art Market Guide, avaliando o potencial de investimento de artistas de primeira linha (blue-chip). Sua galeria sediou a segunda exposição de Warhol em San Francisco, pouco antes da morte do artista.

Polsky participou de painéis de autenticação de arte, incluindo um na SUNY Purchase, e é autor de The Art Prophets, que inclui um capítulo sobre Street Art, com artistas como Jean-Michel Basquiat e Keith Haring.

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