1965 — Quando o Mundo Soou como Futuro

🎞️ 1965 — Quando o Mundo Soou como Futuro

Por Mário Pazcheco
Blog Do Próprio Bol$o

Sessenta anos atrás, o mundo vibrava em preto e branco — mas já se preparava para explodir em cores.
1965 foi o ano em que o ruído virou linguagem, o pop se tornou arte e a juventude começou a ditar o compasso do século.

No IBC Studios de Londres, John Mayall & The Bluesbreakers gravavam com um jovem Eric Clapton, sob a produção de Jimmy Page, o single “I’m Your Witchdoctor / Telephone Blues”. O engenheiro, ao ouvir a guitarra uivando em microfonia, tentou abaixar o som — mas Page o conteve:

“Não! Esse é o som.”
O que parecia defeito tornou-se revolução. Ali nascia o timbre moderno da guitarra elétrica — o rugido que abriria caminho para o Cream, o Led Zeppelin e todo o British Blues Boom.

O manuscrito do tema «Like a Rolling Stone»

Enquanto Clapton e Page reinventavam o estúdio, Bob Dylan levava a poesia à tomada elétrica com “Like a Rolling Stone”. O folk se incendiava e o rock se tornava literatura: O verso longo, a voz elétrica e o órgão de Al Kooper abriram as portas do infinito.
Na Inglaterra, The Who lançava “Anyway, Anyhow, Anywhere” — o primeiro solo de guitarra com microfonia controlada.
A juventude descobria que o barulho podia ser beleza.

zzz2193

E foi também em 1965 que os Rolling Stones deixaram de ser apenas uma banda de rhythm & blues para se tornarem mito midiático global. “(I Can’t Get No) Satisfaction” tomava o planeta como um grito de libertação e cansaço.
A rebeldia, o tédio e o desejo finalmente tinham trilha sonora.

A explosão foi tão intensa que a imagem dos Stones começou a se espalhar como fogo — e quem melhor capturou esse incêndio foi o jovem fotógrafo Gered Mankowitz.
Com sua Rolleiflex sempre por perto, Mankowitz documentou os Stones em casa, nas estradas, nos bastidores e nos estúdios, revelando uma intimidade que poucos viram.
Suas fotos, muitas em preto e branco saturado, mostravam Keith Richards e Mick Jagger não apenas como ídolos, mas como personagens de uma revolução visual.
Nas lentes de Mankowitz, o caos se transformava em estética — e o rock, em mitologia.

01 setembro

Enquanto a música se tornava manifesto, o cinema também ecoava a transformação.
Richard Lester fazia os Beatles correrem entre rituais e perseguições em Help!
E Julie Christie, em Darling, de John Schlesinger, encarnava o rosto melancólico da “Swinging London”, ganhando o Oscar e transformando o glamour em crítica social.
Nos Estados Unidos, Norman Rockwell trocava o interior americano por Ann-Margret, pintando Hollywood com o mesmo olhar de empatia que antes dedicava à Main Street.

E nas areias de Malibu, o ator e fotógrafo Dennis Hopper capturava Jane Fonda com um arco e flecha — imagem simbólica de uma nova mulher: autônoma, atlética, e dona de seu próprio destino.

No outro lado do mapa, Marty Balin inaugurava o Matrix Club em São Francisco, onde o Jefferson Airplane faria seu primeiro voo sonoro.
O rock psicodélico ainda engatinhava, mas o espírito de liberdade já enchia o ar da Califórnia — o mesmo ar que Phil Lesh e Jerry Garcia respiravam ao fundar os Warlocks, que logo se tornariam o Grateful Dead.

zzz1276

E enquanto os decibéis subiam, a arte e a arquitetura refletiam o mesmo impulso.
Louis Kahn erguia a biblioteca da Phillips Exeter Academy como um templo de luz e silêncio.
Andy Warhol, com um marcador na mão, assinava latas de sopa no Institute of Contemporary Art, em Filadélfia, e transformava o banal em relíquia.
Takesada Matsutani, no Japão, expandia o gesto e a matéria em Work 65-K, enquanto Ruth Asawa tecia arames como se desenhasse o próprio espaço.

Em dezembro, na frente da City Lights, em São Francisco, Allen Ginsberg e Lawrence Ferlinghetti reuniam poetas e músicos num retrato coletivo — o último sopro da geração beat antes de se fundir ao rock e à contracultura que se aproximavam.

Sessenta anos depois, 1965 continua a irradiar como um cometa.
Foi o ano em que o som saiu do controle, a imagem saiu das molduras, e o futuro ganhou timbre.
Na distorção de uma Les Paul, no clarão dos flashes de Gered Mankowitz e na voz rouca de Dylan, o mundo aprendeu a amar o barulho — e a chamar isso de liberdade.

Articles View Hits
13337164

We have 1270 guests and no members online

Download Full Premium themes - Chech Here

София Дървен материал цени

Online bookmaker Romenia bet365.ro