Duas Noites em Abbey Road: O Aniversário de John Lennon e o Olhar de Jeff Lynne (9 e 10 de outubro de 1968)

9 e 10 de outubro de 1968 – Duas noites históricas nos Estúdios EMI

Na noite de 9 de outubro de 1968, enquanto John Lennon completava 28 anos, os Beatles trabalhavam intensamente nos Estúdios EMI, em Abbey Road, nas gravações do The Beatles (o futuro Álbum Branco). Curiosamente, o aniversariante não estava presente – a sessão concentrou-se em duas mixagens estéreo e uma mono de “The Continuing Story of Bungalow Bill”, todas derivadas do take 3 feito no dia anterior. O trabalho ocupou o Estúdio Dois, das 19h às 5h30 da manhã seguinte, numa rotina típica da fase final das gravações, quando o grupo alternava exaustão e genialidade.

Do lado de fora, as fãs brasileiras Lizzie Bravo e Lucy esperavam. Décadas depois, Lizzie lembraria o momento com carinho:

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“Esta foto foi tirada pela minha amiga Lucy em 9 de outubro de 1968, quando ele estava saindo dos estúdios da EMI. Tínhamos enviado presentes – dois bolinhos e um cartão que dizia ‘Feliz Aniversário, Jesus’ (brincadeira, claro!) – por intermédio de Kevin, no dia 8, pedindo que ele os entregasse ao John depois da meia-noite. Ele está segurando os bolinhos e usando o cachecol laranja que fiz para ele de crochê. Era bem longo, e tenho outra foto dele usando-o em frente à Apple. Que emoção!”

Na noite seguinte, 10 de outubro de 1968, Abbey Road recebeu um visitante especial: Jeff Lynne, então jovem músico da banda Idle Race, muito antes de fundar a Electric Light Orchestra (ELO) e de trabalhar com ex-Beatles. Ele recordaria, anos depois, em entrevista à Classic Rock:

“Nosso engenheiro conhecia alguém que estava em uma sessão dos Beatles e ligou dizendo que poderíamos dar uma olhada. Talvez eu tenha sido o único que foi. Vi Paul e Ringo no Estúdio 3, fazendo piano e vocais, e depois fui convidado para o Estúdio 2, onde John e George estavam na sala de controle. Lá embaixo, George Martin regia uma seção de cordas para ‘Glass Onion’. Foi incrível. Fiquei uns trinta minutos, mas achei mais educado sair – é um ambiente em que você se sente deslocado. Quando voltei ao nosso estúdio, percebi que o som da Idle Race nem chegava perto daquele brilho.”

De fato, o que Lynne testemunhou foi a gravação do arranjo de cordas de “Glass Onion”, ocorrida no Estúdio Dois, também a partir das 19h do dia 10. Oito músicos foram chamados para executar as sobreposições orquestrais, tanto para a faixa de Lennon quanto para “Piggies”, de George Harrison. O arranjo de “Glass Onion”, sombrio e enigmático, diminuía o andamento à medida que progredia – uma peça de edição que selava o clima misterioso da canção.

Assim, entre 9 e 10 de outubro de 1968, Abbey Road viveu duas noites contrastantes:
uma de ausência e devoção – o aniversário de John sem John, celebrado por fãs fiéis do lado de fora –, e outra de criação pura – quando cordas, vozes e lendas se entrelaçaram sob a batuta de George Martin, diante do olhar de um jovem músico que, sem saber, herdaria o DNA sonoro dos Beatles.

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