MICHAEL STIPE ESTÁ PRONTO PARA VOLTAR À MÚSICA CINCO ANOS APÓS FIM DO R.E.M.

Michael Stipe está pronto para voltar à música cinco anos após fim do R.E.M.
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SEAN HOWE
DO "THE NEW YORK TIMES" / http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/11/1832418-michael-stipe-esta-pronto-para-voltar-a-musica-cinco-anos-apos-fim-do-rem.shtml

 

foto Tony Cenicola/The New York Times 
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Michael Stipe, who has focused on brass and bronze sculpture sine R.E.M. broke up five years ago, in New York, Oct. 12, 2016. A deluxe reissue of the band's Out Of Time album that includes revelatory demos, an acoustic live recording and the record’s eight ambitious music videos is due out Nov. 18, 2016. (Tony Cenicola/The New York Times)

O vocalista do R.E.M., Michael Stipe, que reavalia canções de 'Out of Time' para uma reedição de luxo
 

15 nov. / 2016 - Em 1991, os integrantes do R.E.M. se viram celebrando algo de novo. "Losing My Religion", uma canção queixosa acompanhada por bandolins lançada como parte do sétimo álbum da banda, Out of Time", se tornou seu single de maior sucesso, atingindo o Top 5 das paradas de sucesso, e rapidamente se tornou onipresente. "Para alguém que não tinha grandes ambições, compor uma 'canção do verão' foi talvez o maior presente que eu poderia receber", diz o vocalista Michael Stipe.

Ainda que a banda não fizesse muita publicidade e, exausta por quase uma década de turnês ininterruptas, tenha decidido não promover o novo disco na estrada, Out of Time levou o R.E.M., um quarteto de Athens, Geórgia, ao super estrelato. Agora, 25 anos depois do lançamento do disco e cinco anos depois da dissolução da banda, Stipe se vê avaliando de novo as canções do álbum para uma reedição de luxo, que sai na sexta-feira (18), e inclui demos reveladoras, uma gravação acústica ao vivo e os oito ambiciosos vídeos musicais que acompanhavam o álbum.

"Não quero ouvir todas as gravações ao vivo da carreira de Bob Dylan", disse Stipe. "Não sou esse tipo de cara". Mas, com as versões iniciais incluídas na nova edição do álbum, ele permite que os fãs vislumbrem seu processo de criação. "Você vai me ouvir tentando, às vezes demais, às vezes de menos, chegar a uma nova melodia, trabalhar uma letra para determinar se ela funciona ou não com a música; e nada disso jamais foi ouvido. Agora, 25 anos mais tarde", diz Stipe em tom brincalhão, "é isso que vamos oferecer ao público".

Desde que o R.E.M. se dissolveu, Stipe vem concentrando suas atenções na escultura, trabalhando com bronze e outros metais, e sua arte visual estará em exposição este mês na galeria 39 Great Jones, no East Village, em Nova York, seguida por uma exposição coletiva em Estocolmo cujo tema são mentores e na qual seu par é o poeta John Giorno. Mas participar de dois tributos a David Bowie este ano o levou a compreender uma verdade: "Não estou pronto para voltar a ser um astro pop, aos 56 anos", ele disse, "mas quero trabalhar com música de novo".

O primeiro passo é produzir SIR, um álbum da banda de electroclash Fischerspooner. (Ele diz que sempre tentou pressionar o R.E.M. a trabalhar com música eletrônica e dance music, mas agora percebe que "não era nossa cara".) Em entrevista recente em Nova York, ele discutiu seu processo de composição e a letra que ainda o arrepia. Abaixo, trechos editados dessa conversa.

Sean Howe - Muita coisa mudou entre a gravação e o lançamento de Out of Time. O vídeo do caso Rodney King emergiu. O Nirvana começou a distribuir demos de Nevermind. Os primeiros passos foram dados para criar a World Wide Web. O álbum lhe parece um produto de uma era específica?
Michael Stipe - Out of Time foi o último disco que compus sem um computador; escrevi as letras em uma máquina de escrever. Não confio na minha letra manuscrita. Se a minha letra estivesse especialmente bonita um dia, eu me iludia e achava que a letra da canção era boa; ou às vezes eu descartava uma letra bacana porque estava escrevendo em garranchos naquele dia. Sempre usei algum implemento para objetificar minha escrita, o que me permitia editar mais tarde —tipo um jeito de "escrever bêbado e editar sóbrio". [Para o relançamento], tive de ouvir a maioria das demos, o que para mim foi lancinantemente doloroso. Eu tinha de garantir que nada de horrível passasse. O processo todo me dá nojo, mas decidi que só era horrível para mim e que eu deveria permitir que aquelas coisas chegassem ao mundo, porque há pessoas que as apreciam.

Você tem momentos favoritos no álbum, aqueles que você preferia cantar ao vivo?
Cantar ao vivo é complicado, porque não tenho afinação perfeita, e isso causa ansiedade, e sei em que trechos sempre desafino, o que é um problema. Sei que algumas canções dá para cantar meio latindo, e elas sempre vão soar divertidas e exuberantes, não importa o quanto você desafine. Mas ao ouvir, há momentos em que fico com os pelos da nuca arrepiados, e penso que algo de realmente profundo estava acontecendo ali. O "I need this" no final de "Country Feedback" é um dos momentos de emoção mais crua que já cantei.

De que maneira "Losing Your Religion" mudou sua vida?
Lembro-me da primeira vez em que eu estava caminhando pela Quinta Avenida e de repente todo mundo me reconhecia. Eu estava pronto para aquilo —já tocávamos juntos há 11 anos, e eu estava preparado para subir de patamar. Acho que eu era um sujeito bem centrado, àquela altura. O que você deseja como uma fantasia, daquilo que a fama traz, e aquilo que ela de fato traz, são duas coisas muito diferentes. A realidade nunca é tão sexy. Isso posto, amo minha vida, adoro ser uma figura pública e quase tudo que isso me traz.

Out of Time abriu possibilidades para aquilo que o "som do R.E.M." podia ser.
Estávamos realmente tentando estender nosso alcance, tentando realmente colocar aquilo que fazíamos em circulação. Em retrospecto, faz sentido que nosso disco seguinte fosse Automatic for the People, uma virada radicalmente diferente. E o álbum seguinte seria Monster, um disco de que ninguém gostou. Mas o que todo mundo esperava era uma nova versão de Automatic, e não estávamos interessados em dar algo assim às pessoas. Por isso, de certa forma atiramos em nosso próprio pé. Mas, passados 20 anos, dá para perceber que não é um disco assim tão ruim, Monster. E em seguida lançamos o álbum de que mais gosto em toda a nossa trajetória, que é New Adventures in Hi-Fi. Lá temos uma banda em seu verdadeiro pico. E em seguida, claro, Bill [Berry, o baterista original do grupo] saiu da banda.

Você recomeçou a cantar, pela primeira vez em anos. Não usou nem o karaokê para se manter em forma?
A depender da quantidade de cerveja envolvida, canto uma versão excelente de "Justify My Love", usualmente envolvendo todo mundo que estiver na sala. Por isso, mudo a letra para encaixá-la à ocasião. Acho que a última vez que cantei essa canção foi em Paris. Na verdade, o primeiro verso é "I want to kiss you in Paris", e portanto não dá pra ir a Paris sem cantar "Justify My Love".

Tradução de PAULO MIGLIACCI

 

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