A Constelação de Nelsinho: Um Domingo de Música e Afeto (2025)
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Não sei nada da vida pessoal do seu Nelsinho — e ele não tem nada a esconder.
O que ele mostra, na fala e no brilho do olhar, é o júbilo de ter conquistado tudo “tocando”.
E “tocando”, no caso, significa o instrumento da vida dele: a bateria.
Uma tradição que passou para o filho, e que transformou Nelsinho da Bateria em algo muito maior que um músico — ele é um grêmio musical em pessoa, uma escola viva da mais alta síntese rítmica, um mestre que reúne em torno de si não só a nata da música popular de Brasília, mas também fãs que vibram por participar de um almoço que celebra a mais bela expressão humana: a música.
Ontem, domingo, comemoraram-se os 91 anos de seu Nelsinho.
E nada de chamá-lo de “velhinho” — apesar de dois infartos no currículo, ele caminha com firmeza pelas próprias pernas, e você jamais adivinharia sua idade se não estivesse escrita aqui.
E que desempenho na bateria!
Com seus pratos Zildjian cintilando, o homem estava inspirado.
Acompanhado por um trio maravilhoso — teclas, bateria e contrabaixo — formou-se ali uma constelação sonora cujo brilho até atrapalhava a concentração da turma do dominó.
Standards de Tom Jobim a João Donato.
A tarde deslizando em pura música.
Mais tarde chegaram outros músicos, e o dilúvio sonoro continuou, transformando aquele encontro numa celebração fenomenalmente musical, linda de ver, linda de ouvir.
O maior presente no aniversário dele é justamente esse:
a jam de aniversário que Nelsinho nos concede todos os anos.
Um presente que passa de mão em mão, de ouvido em ouvido, de coração em coração.
Longa vida, mestre!

E, para evitar comparações, omissões e esquecimentos, não citarei nomes — todos os abençoados músicos que animaram a festa naquela escola em Samambaia sabem que foram parte da magia.
Divino rango, divinas guloseimas — tudo além do impensável.

