QUERO SER, OUTRA VEZ, O QUE QUIS SER (2025)
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📸 Fotos: Marizan Fontinele
QUERO SER, OUTRA VEZ, O QUE QUIS SER
(Pauta livre no Dia Mundial do Hip Hop – GOG (Com)Vida)
O assunto é: pauta livre
Teatro dos Bancários — Quarta-feira, 13 de Novembro de 2025 — A noite de ontem foi tudo, menos calma. Quente — no clima e no palco. A celebração do Dia Mundial do Hip Hop – GOG (Com)Vida incendiou o Teatro dos Bancários com um elenco de peso: Atitude Feminina, Dexter, Japão (Viela 17), Thabata Lorena, X (Câmbio Negro), Renan (Inquérito), Mascoty, Bira e o Bando (PE), Janine Mathias, DJ Raffa e o menino Miguel Ângelo, entre muitos outros.
Do púlpito, a apresentadora anunciava os nomes que ajudaram a divulgar o evento — os pesos-pesados da mídia. De repente, ouvi o nome #DoPróprioBolso. Fiquei comovido, mas não surpreso. Em eventos desse porte, especialmente em shows da música popular de Brasília, o #DoPróprioBolso tem sido lembrado e reconhecido.
É boa divulgação — e melhor ainda, reconhecimento.
#DoPróprioBol$o nunca seguiu a cartilha dos obituários nem as matérias encomendadas de quem está lançando disco ou chegando à cidade para tocar. Na verdade, nem cobre a cena: #DoPróprioBol$o é fora da rota, uma voz que vem daquele antigo movimento de fã-clubes dos anos 80.
Hoje, o foco é outro: eternizar a história dos amigos, ainda que por pouco tempo — afinal, são 22 anos on-line.
Diariamente, os artigos somam entre 5 e 8 mil visualizações, e no Instagram a vibração é constante: todo dia um novo seguidor, todo dia uma nova energia.
Posso dizer: a coisa vibra mesmo.

Quase uma estrela
Alessandro, o fotógrafo, lutava para enquadrar o foco. Perto dali, ouvi um rapaz dizer ao amigo:
— “Vem tirar uma foto com o fotógrafo profissional!”
A sessão de fotos era um pequeno caos, cheia de risos, poses improvisadas e gente se esbarrando. De repente, o mesmo rapaz veio até mim e disse que queria tirar uma foto comigo. Falou também dos meus eventos. Só pude rir.
Contou que veio de Curitiba e agora morava na Asa Norte. Conversamos um pouco sobre a cena musical curitibana. Naquela mesma passarela, o baterista Tiago Araújo, o "Ticha" me reconheceu; depois de um abraço afetuoso, confessou que banda era coisa complicada — agora estava em carreira solo, explorando batidas e sons eletrônicos. Fizemos mais fotos, essas bem mais divertidas.
Um pouco antes, um casal jovem do Guará II, da QE 19, me abordou. O rapaz disse que tinha ido a um evento meu no ano passado e perguntou se ainda estavam acontecendo. O casal era simpático, animado, e pediu para tirar fotos na entrada do Teatro dos Bancários. Nessas horas, eu sou contido — afinal, não sou nenhuma estrela.

Ao lado, Dino Black estava cercado de amigos. Quando me viu, veio me cumprimentar e disse:
— “Já toquei na casa dele!”
Rimos. Dino comentou que não voltou mais porque não foi convidado. Fica aqui o convite: na próxima, você será a atração principal, com todo o tratamento que uma grande estrela merece.
Fizemos fotos juntos, e logo chegou Rênio Quintas. O papo engrenou — falamos sobre os rumos da cultura no Guará. Por meio de Rênio, conheci figuras antológicas, gente que talvez não tivesse idade para estar ali naquela noite de hip hop, mas a música une o que é distinto.
As meninas nos chamaram para uma live. Achei engraçado: eu, que na adolescência era fã de Rênio Quintas, agora estava ao lado dele, ao vivo. E não era a primeira vez.
Naquela noite do hip hop, conheci a jornalista Denise, reencontrei Policarpo, vi Natinho das Camisetas e ri junto com a professora Lígia Garcia — faço questão de aparecer para ela, só para mostrar que ainda participo desses eventos comunitários.
Conheci pessoas de Curitiba, São Paulo e até o Rafael, que veio do Acre — todos especialmente para o encontro do hip hop, onde o público é, por si só, uma das principais atrações.
Incrivelmente vivo, eu me senti, por um instante, um ícone cultural.
Mas logo pensei: é melhor retomar o juízo.
Esses momentos de celebridade “in” ajudam a amenizar as durezas do dia a dia.

Quero ser, outra vez, o que quis ser
Há frases que não são apenas desejos — são reencontros.
Reencontros com o que fomos, com o que tentamos ser, com o que ficou pelo caminho.
Essa é uma dessas frases.
Entre o ontem e o agora, há o intervalo onde mora o sonho: o de voltar a ser o que um dia quisemos.
Produção independente, arte feita à mão, colada, rabiscada, impressa — #DoProprioBolso, como sempre foi.


