Crônica de um Almoço de Domingo (2025)

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 Sob a Amoreira – Crônica de um Almoço de Domingo

Domingo, 9 de novembro de 2025 – Devo ser: instável, performático ou temperamental?
Imagine: três adjetivos, todos sinônimos, usados por mim mesmo, para mim mesmo – talvez como um autorretrato feito à tinta corrida e gargalhadas. E a moldura? O retrato de uma banda de amigos: A Banda Mais Lama da Cidade.
Não sei como eles ainda me aturam. Talvez porque, no fundo, essa paciência seja recíproca.

Ontem, debaixo de uma chuva imensa vinda dos céus da Colônia Vicente Pires, recebemos doses generosas de bom humor e de rock – do Tremendão aos Pixies. Foi uma rejuntada, uma panelada, um domingo de música e risadas na casa acolhedora do baterista Dudu, aquele do centro da roda, o maestro das baquetas e da cordialidade.

Rimos lembrando das histórias do guitarrista Souves, que está lendo uma minissérie de Batman chamada Shaman, lançada em 1991. A cronologia me lembrou — que eu tinha 27 naquela época, dez anos mais velho que eles, e talvez ainda guardasse aquele gibi.

Marcelo, o contrabaixista, se recusou a me acompanhar até o fim da quadra, alegando que eu não consigo ficar parado. E não consigo mesmo – talvez seja por isso que escrevo, componho e invento histórias: é o meu jeito de não parar.

A casa de Dudu, no fundo do lote, é um pequeno universo em movimento: três filhos adolescentes, a mais novinha, dois rapazes experimentando a barba, e mais três crianças — espero que não se importem com o termo. Correndo entre os sons, os cheiros e as risadas, completam o cenário como notas vivas de uma partitura familiar. Ah, não posso esquecer a Vênus que é uma pastora alemã, cheia de energia que protege a casa.

E havia ainda o tempero especial: as nossas quatro companheiras: Aline, Vivi, Ivy & Marizan

Aline, a esposa de Marcelo, foi a responsável pela panelada de galinha – duas, na verdade: uma com pequi, outra sem. Eu fiquei com a segunda. De entrada, um caldo de moela que desceu quente e suave pela goela, como quem abre um prelúdio de afeto.

Meus amigos, perdoem minha inabilidade de revelar o que realmente sinto. Esses sentimentos – profundos, bloqueados, mas sinceros – significam acolhimento. Significam pertencer a um núcleo tão doce e musical como o de vocês.

Que continuem sua saga familiar e sonora, misturando risos, notas e histórias. E que, em algum outro domingo nublado, a gente volte a ocupar o mesmo lugar à mesa, debaixo do pé de amoreira, onde o tempo parece, por instantes, tocar no ritmo certo.

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