Do Próprio Bol$o: O Jardim Sonoro do Guará — Parte 2 (2025)

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10 de abril de 2007 — 25 Anos de Do Próprio Bolso

Um raro e luminoso registro do Projeto Syd Barrett, capturado pela lente sensível do mestre Ivaldo Cavalcante.
O trio acústico, com Glauco nos vocais, mergulha em uma atmosfera quase lisérgica — como se o som ecoasse entre os tijolos e o tempo, em um daqueles instantes em que a música parece conversar com o invisível.

À esquerda, o também fotógrafo Luiz Alves registra o acontecimento, operando mesa e laptop como quem decifra frequências de outra dimensão.
Foi um show singular — enigmático, irrepetível, desses que deixam rastros apenas na memória dos que estiveram lá, testemunhas de uma noite em que Barrett sorriria do além, vendo sua sombra psicodélica projetada nas paredes de Brasília.

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22 de setembro de 2012 – Slamdancer Festival II — Homenagem a Raul Seixas

Registro de uma noite vibrante, marcada por som, emoção e memória.
À direita, Sérgio, meu irmão, o baixista nato dos Durangos da América, tocando com a energia e o sorriso que sempre o acompanharam — hoje, lembrado com saudade.
No vocal, o também saudoso Nelson, figura carismática que amava interpretar Santana e Jorge Ben Jor, somando à mistura o balanço e o calor da música latina.
Na bateria, meu irmão Beto, cabeludo e preciso, sustentava o ritmo com pegada firme.
E na guitarra, eu — Miro Ferraz — tentando costurar o som entre a memória e o momento.

Naquela noite, mais do que um festival, o palco era um reencontro: amigos, irmãos e músicos celebrando Raul, o rock, e o simples prazer de tocar juntos sob o céu livre.

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Elegia Gêmea — Serguei & Maguim

No alto da imagem, Serguei, eterno roqueiro de alma incendiada, corpo leve e espírito livre.
Sua voz atravessou gerações, espalhando o brilho do glitter rock, o escândalo necessário, a coragem de ser único.
Morreu em 2019, mas o palco ainda treme ao lembrar de seu grito libertário.

Abaixo, Marcelo “Maguim”, seu reflexo mais terno e fiel — o vocalista da Stoner Babe, discípulo do rock nacional setentista, fã confesso e seguidor do mesmo rastro de luz.
No 25 de maio de 2013, em Luziânia, Maguim viveu o auge de um sonho: abrir o show do ídolo, cantar antes de Serguei, dividir o mesmo ar elétrico.
Ambos, agora, cantam em outra frequência.

Partiu Maguim no início de 2024, deixando silêncio onde antes havia eco.
Mas nesta foto, a vida ainda pulsa: dois guerreiros do palco, dois corações sintonizados na mesma estação do rock —
onde o brilho nunca se apaga,
e o grito ainda ressoa no infinito.

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Na penumbra do palco do evento “32 anos do Próprio Bol$o — 1982/2014 ”, a presença da Banda Rock Brasília projeta-se com força cruenta e autêntica. À frente, Magu Cartabranca exibe a postura firme de quem já atravessou décadas do rock brasiliense: olhar direto, microfone em punho, voz que resiste. À direita, Rogério “Águas” — guitarra em punho, óculos escuros mesmo sob iluminação intensa — parece desafiar as luzes, permanecendo numa aura que mistura desafio e espetáculo.

O preto rigoroso do traje de Rogério, junto dos óculos, cria uma imagem de roqueiro clássico e intemporal: as lentes escondem o olhar, mas realçam a expressão corporal, o gesto da mão direita preparada para o riff ou o solo que ecoará. Já Magu, no centro da cena, afirma com os cabelos soltos e o microfone à frente: “o rock de Brasília ainda vive”. Essa convicção revive a história de uma capital que se fez “berço” de bandas icônicas e movimentos musicais.  

A foto capta um instante em que o tempo se dobra: passado e presente se encontram. O repertório da banda — que, conforme notícia de 2021, resultou no álbum Lembrança de Brasília, gravado pela própria Banda Rock Brasília com faixas como “O Rock Brasília Ainda Não Morreu” — torna-se um manifesto visível.  

Há no palco um cenário de resistência e afirmação: a capital federal, muitas vezes relegada pelo grande circuito nacional, vê seus protagonistas erguerem os instrumentos e dizerem que o som, o ideal e o espírito do rock continuam vivos. É essa energia que se espraia na imagem — guitarras, microfones, público, luzes, suor, memória.

 

O “Fogueiral” (2014, julho), um evento e ponto de encontro no Guará 2, próximo ao posto de saúde, era um acesso direto à cultura local — uma espécie de roda comunitária improvisada, onde música, conversas e afetos se cruzavam ao redor do fogo. Curiosamente, embora tenha ficado famoso entre quem frequentava a cena do bairro, ele aparece muito pouco documentado visualmente. Há relatos orais, textos de memória, lembranças fortes… mas quase nenhuma imagem circulando em acervos públicos, sites ou redes.
Essas fotos mostram exatamente aquilo que quase nunca aparece: o cenário noturno, o chão de terra batida, o fogo aceso dentro de uma caixa improvisada, criando um ponto de luz no meio da escuridão. Em volta, pessoas conversam, sorriem, confraternizam — algumas mais próximas da fogueira, outras ao fundo, formando pequenos grupos que revelam a espontaneidade do encontro. A iluminação das brasas destaca expressões descontraídas, roupas de frio e a atmosfera típica de um evento alternativo, informal e livre.
O que essas imagens revelam é o verdadeiro espírito do Fogueiral: um lugar de encontro, de calor humano, de improviso, e de resistência cultural cotidiana — algo vivido intensamente, mas raramente registrado. São testemunhos importantes de uma prática comunitária que, embora simples, marcou época e deixou rastros afetivos na memória de quem ali esteve.

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Do Próprio Bol$o — Cenário no final de 2016

A cena registrada na fotografia revela um espaço em penumbra, tomado por luzes circulares em rotação sobre o chão. A imagem evoca uma instalação sonora e audiovisual, típica das experiências promovidas pelo Do Próprio Bol$o naquele período. O padrão de luz sugere o uso de projeções rotativas — talvez um disco de iluminação experimental —, recurso comum em mostras multimídia, saraus psicodélicos e performances híbridas que misturavam música e artes visuais. Tudo indica o set-up de uma apresentação ou a preparação de um ambiente sensorial destinado à experimentação artística.

No fundo, banners e uma cadeira dobrável reforçam a atmosfera intimista de um palco de sarau — um pequeno clube ou galeria, cenário de noites alternativas que reuniam artistas, músicos e poetas. A luz circular no piso atua como elemento cênico, criando o clima de ritual ou de improviso visual, em sintonia com a estética livre e artesanal do espaço.

Mas há também a leitura do registro pós-evento: o palco vazio, ainda iluminado, guarda o eco das vozes e dos sons que o ocuparam minutos antes. Essa pausa — o instante em que a arte respira — é parte do próprio gesto do Do Próprio Bol$o, que sempre documentou a atmosfera e o design de luz de seus encontros, preservando o que resta do imaginário coletivo que animava a cena.

(Do Próprio Bol$o, 2016 — arquivo visual)

2017

 0 Lucky

Depois de conseguir o autógrafo na capinha do CD Singin’ Alone, veio a foto: à direita, o cantor Lucky ao lado de Arnaldo Baptista, com mais um fã no registro. Lucky lembra do momento com carinho: “Eeeita que lembrança boa!!! ❣️ Valeeeeu!”. A imagem foi feita no camarim da apresentação de Arnaldo Baptista em Brasília, em junho de 2017, durante o espetáculo “Sarau Será o Benedito?”, na Caixa Cultural Brasília (Teatro da CAIXA).

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