Do Próprio Bolso: Uma História em Clipes (1996-2025)
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Antes eram as máquinas de filmar imensas, pesadas como sonhos de celuloide. Depois vieram as digitais, ligeiras, prometendo eternizar tudo — prometeram. Algumas fitas de 8 mm ainda esperam, pacientes, pela digitalização que nunca veio. Outras ganharam vida em DVDs — na era em que isso ainda parecia futuro. Há, perdidas por aí, imagens raras dos 25 anos de ação Do Próprio Bol$o.
Com o tempo, tudo foi parar nas redes: na pandemia, as lives tomaram conta — especialmente aquela em benefício de Ricardo Retz, com apoio de Bruno Z. Hoje, o que se tem é o apagão cultural, o mesmo que engoliu o clipe “Festa do Rock” da Stoner Babe no festival Slamdancer 2012. A apresentação da Alarme foi registrada num iPhone e nunca exibida — talvez durma em algum chip anônimo.
Documentar os shows sempre foi uma tragédia anunciada: câmeras fixas, centralizadas, sem alma. E quando perguntamos “Cadê as filmagens?”, vem o refrão conhecido — “Não ficaram boas.” No meio do caminho, decidem que as fotos bastam.
E ainda há quem pergunte, com inocência digital: “Você tem tudo em alta resolução?”
Não, nunca houve verba nem fundo para registrar o que foi feito Do Próprio Bol$o. O que restou é este cardápio resistente ao tempo — precário, real e completamente nosso, por enquanto.
Do Próprio Bolso: Uma História em Clipes
A Bomba – Rock’n’Roll (1996)
Em 1996, o talentoso produtor Eduardo Castro selecionou o quinteto A Bomba para integrar seu projeto Terapia, Imagens e Distorções, reunindo bandas emergentes da cena rock independente de Brasília. Cenas individuais dos guitarristas e do vocalista foram filmadas no palco-caminhão da sede do Próprio Bol$o, em uma produção pioneira no espírito do it yourself.
O videoclipe, primeiro registro da banda a ser lançado em VHS e posteriormente em plataformas digitais, aposta em estética crua e distorções visuais, evocando nostalgia e autenticidade. A banda aparece em performance intensa, reforçando o rock como ato físico e estilo de vida.
Mais do que técnica, o clipe destaca o olhar do cineasta: Eduardo Castro se transforma em máscara, investigando cada detalhe da locação e traduzindo em imagens a energia e a memória da cena local.
O videoclipe “Rock’n’Roll” é um documento cultural da cena independente de Brasília, afirmando identidade, atitude e vitalidade. Em vez de perfeição, privilegia autenticidade e conexão com quem realmente viveu o rock.
Barbarella – "Umidade Relativa do Ar" – (7 de Setembro 2007)
Feito em 2007, o clipe de “Umidade Relativa do Ar”, da Banda Barbarella, é um retrato cru e pulsante da vida urbana e da introspecção que ela provoca.
Com produção simples e foco total na performance, o vídeo captura a energia da banda em um cenário de galpão, iluminado por cores intensas — azuis e vermelhos que parecem traduzir o clima emocional da canção. A câmera se move entre closes cheios de atitude e planos abertos que revelam a força coletiva dos músicos.
Entre as cenas de palco, surgem imagens poéticas dos integrantes em trânsito por paisagens de Brasília, especialmente no Guará — um contraste entre o concreto e o campo, entre o movimento e o silêncio. Essas passagens reforçam o sentimento de solidão e reflexão que permeia a música.
Com edição ágil e estética saturada, o clipe vibra no ritmo do rock alternativo, transformando “Umidade Relativa do Ar” em um manifesto visual sobre estar vivo, sentir o peso do clima e resistir no calor e na secura da cidade.
A festa Que pé Rock'n'Roll – Barbarella – Guariroba Blues – (30 de Outubro de 2009)
O clipe de “Guariroba Blues” foge completamente do padrão dos videoclipes convencionais. Com cerca de dez minutos de duração, ele se transforma em um documentário musical, uma celebração da alma do blues e da identidade da região da Guariroba, em Samambaia (DF).
Mais do que um clipe, é um registro vivo — uma jam session intensa e autêntica, filmada em ambiente interno, com luzes de show e foco total nos músicos em ação. As imagens captam a energia crua da performance e, entre um solo e outro, o vídeo respira o território: cenas da paisagem do Distrito Federal, do cotidiano e da natureza local costuram o som à terra.
A fusão entre o blues e o espírito candango cria uma sonoridade única, onde cada acorde ecoa como um tributo à cultura e ao chão que a inspira. “Guariroba Blues” é mais do que música — é um manifesto visual de pertencimento e paixão.
Mário Pazcheco lança o livro 10.000 Dias de Rock, um tributo à cena musical de Brasília – (8 de Março de 2014)
O livro “10.000 Dias de Rock” reúne décadas de registro do rock de Brasília — desde os primeiros shows punks até as grandes apresentações no DF.
Pazcheco, fanzineiro, pesquisador e arquivista da cena local, compilou recortes, fotos, anotações e relatos pessoais para contar essa história.
O lançamento ocorreu em evento com shows no Guará (Brasília) e marcou a realização de um sonho de longa data de Pazcheco, que atuou nos bastidores da cultura rock no DF.
É uma obra independente, destinada a documentar e preservar uma era que muitas vezes ficou fora dos circuitos comerciais.
Quase Sósias – Ricardo Retz – (25 de Novembro de 2014)
“Quase Sósias”, documentário de Ricardo Retz, mergulha na intimidade do agitador e colecionador de vinis, explorando identidade, semelhanças e diferenças — o título diz tudo. Entre bastidores, ensaios e cenas urbanas, o filme revela a cena autoral de Brasília de forma concreta, profunda e envolvente.
Mais do que registro, é memória viva: preserva histórias, inspira reflexões sobre identidade e resistência, e conecta passado e presente do rock/underground local. Apesar de público restrito, sua força está na narrativa, imagens e contexto, tornando-se testemunho essencial para Do Próprio Bol$o.
O documentário mostra que o espírito autoral não morreu: adaptou-se, se reinventou, mantém autenticidade e cria pontes entre gerações — perfeito para refletir sobre memória, influência e a contínua vitalidade da cena brasiliense.
Banda Sapiens: Trajetória e Conquista (8 de Dezembro de 2014)
Sediada no Guará-DF, a Banda Sapiens soma mais de uma década de estrada, transitando entre hardcore melódico, instrumental e pop rock. Em 2014, venceu a 5ª etapa do concurso Brasília Independente com ampla votação popular, consolidando sua presença na cena local.
Com repertório autoral que dialoga com Deep Purple, Led Zeppelin e a cena brasiliense, a banda combina técnica, energia e crítica social — como em Sociedade Capitalista. A vitória no concurso reforçou visibilidade, engajamento e oportunidades de shows e gravações.
Sapiens é exemplo de persistência e autenticidade na música autoral do DF, mostrando que independência e qualidade caminham lado a lado.
Iluminuras – Mário Pazcheco e Roberto Luís Menezes – (20 de Março de 2015)
O episódio de Iluminuras (20/03/15) coloca Mário Pazcheco no centro da cena rock brasiliense, revelando-o como documentador, analista e participante ativo. A conversa com Roberto Luís Menezes mistura literatura, música e memória local, transformando o programa em registro histórico e cultural valioso.
Entre prateleiras de livros e depoimentos pessoais, o episódio captura experiências, visões e histórias que vão além dos fatos, aprofundando a compreensão da cena autoral e underground. Apesar de público restrito e tempo limitado, oferece material rico para refletir sobre a transmissão de memória, identidades e a evolução da cena.
Para Rastros de Memórias, é uma ponte entre passado e presente: não só registra, mas permite pensar a cena, levantar perguntas sobre vozes ouvidas e silenciadas, e inspirar capítulos sobre resistência, produção local e reflexão cultural.
Watchatcha – Casa do Mário – (20 de Abril de 2015)
Em 2015, o trio gaúcho Watchatcha percorreu o Distrito Federal com intensidade: shows em teatros-garagem, energia ao estilo Toy Dolls, cada apresentação carregando sua própria cruz. Sob a produção de Ricardo Retz, a banda marcou presença com sua sonoridade direta, letras espontâneas e estética independente.
O videoclipe de “Casa do Mário” (álbum Embromation, 2018) transforma o espaço doméstico em cenário central. Minimalista e autêntico, privilegia luz natural, câmeras diretas e performance visceral, aproximando o público da banda e da cena local.
Mais do que música, o clipe é obra audiovisual que celebra identidade, cotidiano e presença: o rock de Watchatcha valoriza voz, lugar e atitude. Na casa do Mário, cada espectador encontra um pedaço de si mesmo.
Conspiração Underground – Bruno caetano – Dínamo Z – A Banda Mais Lama da Cidade – Antimácula – Dino Black – Sapiens – Kelton Banda – (5 de Setembro de 2015)
Encontro Mágico de Guitarras – Malagoli – Barbarian – Banda Ser – Marcianita (14 de Novembro de 2015)
O Libertário: Do Próprio Bol$o (14 de Novembro de 2015)
Antimácula – Vícios do Rock (Abril de 2016)
O videoclipe de “Vícios do Rock” mostra o rock como vício e resistência. Gravado em locações simples do entorno de Brasília, o vídeo valoriza autenticidade e espírito DIY, colocando a banda em performance intensa e visceral.
O local atua como extensão da banda, urbano e sombrio, reforçando a tensão e a identidade da cena independente. A atriz dá dimensão humana à narrativa, encarnando o conflito e a intensidade do rock, dialogando com o espaço e intensificando o impacto emocional.
Entre luzes cruas, cortes diretos e estética underground, o clipe é um documento cultural de Brasília, celebrando energia, identidade e o rock vivido mais do que apenas ouvido.
O Rock Vai Rolar – A Banda Mais Lama da Cidade – Zu Totën – Marcinita Banda – Mariana Camelo – Olívia e os Brutos – Visão Global – Band aRock Brasília – (16 de Julho de 2016)
A.R.D — “Eixão da Morte” (Do Próprio Bol$o, 24 de Setembro de 2016)
Palco pequeno, luz crua, público colado.
Nada de pose — só urgência e verdade.
A.R.D transforma o asfalto em grito: o “Eixão” vira metáfora da cidade brutal, onde se vive, se corre e se sobrevive.
Gravado no Do Próprio Bol$o, o vídeo é registro da resistência do rock autoral em Brasília — direto, suado, real.
Corte Seco — Diplomacia Bad Trip — (4 de Março de 2017)
Em 4 de março de 2017, a ideia era rodar o clipe durante os 35 anos do Do Próprio Bolço: “O clipe que havíamos planejado não foi realizado porque não conseguimos obter as imagens da câmera principal. A pessoa responsável nunca nos enviou o material. Por isso, acabamos produzindo este com algumas imagens gravadas no mesmo dia.” (Renato MengaJam)
Pontos fortes
Discurso de rua: a música mantém o “fazer‑contra” e fala direto da rua. Corte Seco se cerca de boa produção e mantém a autenticidade do punk/rock de Brasília, com som seco e gutural.
Produção e gravação: bem gravado, som claro, entrega a mensagem com força.
Feat com Mano Dáblio: acrescenta contraste e reforça credibilidade, ampliando o alcance.
Temática: título e letra sugerem ironia, crítica e manifesto, direto ao ponto: “lutaremos com certeza, sem nenhum limite.”
Pontos de atenção
Originalidade: mantém a tradição do som seco, mas precisa continuar autêntico para não se tornar repetitivo.
Visibilidade: mesmo com boa produção, depende de divulgação, shows e conexão com o público.
Letra: clara, mas pode ganhar força equilibrando direto e simbólico; útil para registro cultural.
Relevância para o projeto
“Diplomacia Bad Trip” mostra que a voz de rua e o espírito de resistência continuam vivos, em nova geração. Serve para traçar paralelos com bandas históricas de Brasília, como Liga Tripa, e refletir sobre como a cena se organiza hoje frente ao passado: instrumentos, estúdios, internet e cultura de show.
Durangos da América – "Cadê a CPI" – (Março de 2017)
Lançada em março de 2017, a música "Cadê a CPI" da banda Durangos da América critica a morosidade das comissões parlamentares de inquérito em meio aos escândalos da Operação Lava Jato. No período, denúncias contra Michel Temer, Aécio Neves e outros políticos dominavam o noticiário, gerando indignação popular diante da corrupção e da impunidade.
Equipe: Miro Ferraz (guitarra), Betto (bateria), Werry Rodrigues (baixo), Jorge Gustavo (voz) | Composição: Miro Ferraz e Augusto Barros | Mixagem/ Master: Bruno Formiga | Vídeo: Meliza Mendes
O rock engajado da banda oferece uma reflexão direta sobre ética, política e o sentimento de frustração que marcava o Brasil naquele momento.
Maria Sabina & a Pêia – “Tempo Arruaceiro” – (Maio de 2017)
O clipe de “Tempo Arruaceiro” estreou na sexta-feira, 21h, na Zepelim, Guará 2, com imagens gravadas pelo cineasta Léo Cabral e edição de João Gabriel. Segundo Maria Sabina:
“Tá habitando, sim, até agora e durante muito tempo continuarei feliz por tudo que aconteceu ontem.”
O videoclipe valoriza o minimalismo e a autenticidade: a banda toca em meio a crianças, cães, fogueira e natureza, com cenários que dialogam com Brasília, misturando cavaquinho feminino, psicodelia e rock alternativo. A performance é visceral, a produção técnica impecável, e a energia do grupo — Maria Sabina (voz e cavaquinho), Jaílson Oliveira (gramado e tinta), Bruno Caetano (entrevista) — reflete colaboração, paixão e atitude.
“Depois que lançamos esse videoclipe, as portas se abriram e as ondas de rádio tocaram nosso som. Fomos escolhidos para a seletiva do Porão do Rock e a vencemos. Tudo está interligado. Nossa arte, nosso espírito colaborativo e a nossa disposição de abalar, de oxigenar o que se entende por ‘atitude’ e ‘rock’.”
O título sugere reflexão sobre o tempo — arruaceiro, imprevisível, inquieto — e o clipe funciona como ritual estético: imagem, movimento e música traduzem passagem, mudança e identidade. Na cena de Brasília, a banda reafirma sua posição autônoma e experimental, consolidando presença na cena alternativa e oferecendo um registro visual que é tão intenso quanto a música.
O videoclipe reforça o ethos da Maria Sabina & a Pêia: arte que privilegia autenticidade, energia e identidade, provando que o tempo pode ser arruaceiro, mas também inspirador.
Little Rock – Metrópole Locomotiva – Felipe Zucco & Blues Band – (25 de Agosto de 2017)
Lya – I Want You So Bad – (Maio de 2018)
O clipe de Lya se destaca pelo nível de produção impecável: figurino, alimentação e equipe sem estresse. Adotando uma estética minimalista, ele concentra toda a atenção na performance intensa e emotiva da cantora.
Com influências de soul, blues e R&B contemporâneo, Lya explora o desejo profundo da canção através de expressão corporal, gestos e olhar penetrante. O cenário escuro e a iluminação dramática enfatizam a intimidade e a sensualidade, enquanto o figurino elegante mantém o foco na voz e na presença da artista.
O resultado é um videoclipe puro, direto e emocional, onde cada elemento visual reforça a potência da música e a performance magnética de Lya.
Ligação Direta: um museu de rock no Guará | SBT Brasília – 25 de Setembro de 2018
A reportagem mostra que o rock no Guará não é só cena de bar ou palco: é história viva! O museu surge como símbolo de memória e continuidade, conectando passado e presente da música em Brasília. A matéria dá visibilidade a um projeto que poderia passar despercebido, reforçando que a cena vai muito além do Plano Piloto e das grandes bandas.
Ainda que a cobertura televisiva seja limitada — pode não abarcar toda a pluralidade do punk, hardcore, metal e rock alternativo —, ela acende um alerta: o Guará é lugar de produção, identidade e resistência cultural. O museu é mais que exposição; é um marco de transição, onde o rock deixa de ser só show e vira patrimônio, memória e documento vivo da cidade.
Mário Pazcheco – Ao Vivo E a Cores – Rádio 4 Tempos – (20 de Janeiro de 2019)
No programa “Ao Vivo e a Cores” da Rádio 4 Tempos, Mário Pazcheco surge como voz pulsante e articuladora da cena de rock brasiliense. Longe de ser apenas memorialista, ele fala como quem vive — e ainda movimenta — a história. A transmissão, ao vivo e espontânea, cria uma atmosfera vibrante: histórias, memórias e ideias fluem como riffs entre blocos de som e conversa.
O rádio amplia o alcance da cena, levando o espírito do rock de Brasília para além dos palcos e das coleções — transformando o diálogo em registro vivo. É um retrato da comunidade roqueira em movimento, feita de encontros, trocas e resistência cultural.
Mesmo com as limitações do formato e público de nicho, o episódio funciona como janela sonora para o universo que Rastros de Memórias quer iluminar. Mostra a passagem da era analógica para a digital — da fita e do show para o podcast e o streaming — sem perder a vibração original.
Mais que uma entrevista, é um testemunho de época: Pazcheco fala e o rock de Brasília responde, ecoando em ondas que ainda não cessaram.
Bruno Z – "Gana de Viver" – (18 de Fevereiro de 2020)
Gravado na sede Do Próprio Bolso em janeiro de 2020, pouco antes da pandemia, o clipe “Gana de Viver” de Bruno Z — dirigido por Werry Rodrigues e Elisa, com produção de Maria Eliza Mendes — é um sopro de leveza em meio ao caos que viria.
Com a expressiva Érika Mesquita, a Palhaça Berinjela do Circo Rebote, o vídeo transforma o simples em poético: humor, lirismo e cotidiano se misturam em um clima lúdico-circense, onde até a cadelinha Bolota tem papel simbólico.
Musicalmente entre o folk e o rock brasileiro, o clipe traduz o título — uma verdadeira celebração da vida e da arte independente. “Gana de Viver” mostra que emoção e autenticidade valem mais que qualquer grande produção: é pequeno em estrutura, mas gigante em sentido.
F!VE! – Abismo – (30 de Abril de 2020)
O clipe “Abismo” mergulha na escuridão do desejo e da queda, transformando o espaço físico em metáfora do conflito interior. Sob a direção de Raíssa Vilela e Ana Luíza Meneses, a estética minimalista — sombras, luzes contidas e enquadramentos precisos — concentra a atenção na intensidade emocional da banda.
Mais do que música, “Abismo” é cinema de introspecção: sugere, provoca e conecta som e imagem de forma visceral. Uma obra da cena independente que aposta em autenticidade e presença, mostrando que o impacto nasce da força do conteúdo, não do luxo.
Vlogger DF – Episódio 04 – Mario Pazcheco 20 de Abril de 2022)
No episódio Vlogger DF – Mário Pazcheco, ele surge como voz viva e agitador cultural do Distrito Federal, misturando colecionismo de gibis, memória da cultura pop e histórias da cena rock/underground. O formato vlogger cria proximidade, mostra bastidores e transforma o vídeo em registro autêntico e envolvente.
Apesar do alcance limitado e do público nichado, o episódio oferece contexto e riqueza narrativa, permitindo enxergar a cena além dos palcos e capturar sua evolução da era analógica à digital. Para Do Próprio Bol$o, é testemunho vivo e ferramenta perfeita para refletir sobre memória cultural, documentação e identidade da cena brasiliense.
Magu Cartabranca – "Rumo Ao Horizonte" – (29 de Maio de 2023)
“Rumo ao Horizonte” marca uma guinada na carreira de Magu Cartabranca: riffs potentes, voz firme e produção que mistura nostalgia e contemporaneidade. O clipe, de estética simples, carrega emoção — uma homenagem a mim, Mário Pazcheco, e à minha noiva, Marizan Fontinele, com Magu Cartabranca como padrinho da união, eternizando o beijo na tela. O título prenuncia a partida precoce do músico Balaio Sann, que brilha no contrabaixo.
A música mantém a veia do hard rock brasiliense dos anos 80/90, revisitando raízes enquanto mira o horizonte — símbolo de movimento, mudança e futuro. Brasília aparece viva, como pano de fundo e memória, reforçando a identidade local.
Mesmo enfrentando desafios de visibilidade e alcance do rock autoral, “Rumo ao Horizonte” conecta passado e presente, mostrando que veteranos da cena reinventam sua voz e vigor. Para Rastros de Memórias, é um elo entre a era de ouro da capital e o agora: produção independente, clipes online, batalhas de identidade e visibilidade — olhando para o passado, mas projetando futuro.
Os Candangos – “Valerá” – (Abril de 2024)
“Valerá” é um hino do rock brasiliense que celebra a vida, a música e a liberdade. Magu Cartabranca, à frente da banda Os Candangos, transita entre personagens e persona, evocando o mistério e a intensidade de um vampiro moderno do rock.
O clipe, dirigido por Valério Paganelli, foi filmado em Brasília com palcos urbanos, cenários caseiros e energia crua, refletindo a estética DIY e a urgência da cena independente. Cada músico — Balaio San, Miguel, Vítor, Apolos, Márcio e Magu — irradia talento e presença, enquanto atores e equipe colaboram para transformar a performance em ato de resistência cultural.
A música é metáfora: viver vale a pena, lutar pelo rock vale a pena, e cada nota reverbera memória, ativismo e paixão. “Valerá” é, ao mesmo tempo, celebração e manifesto — uma explosão de adrenalina, consciência e rock’n’roll.
Ficha técnica
Direção geral: Valério Paganelli
Direção artística: Mário Pazcheco
Ator convidado: Lorenzo Paz
Cenografia: Hamilton Zen
Making of: Marizan Fontinele
Márcia Tauil – "Meio‑Dia" (Setembro de 2024)
Em 2024, Márcia Tauil e Ricardo Nakamura reinterpretam “Meio‑Dia” de Fagner e Clodo Ferreira, em videoclipe dirigido por Renan Belmiro e gravado na biblioteca vinculada ao historiador Mário Pazcheco, em Brasília. Uma homenagem à memória de Clodo e à tradição da MPB, que celebra identidade e resistência cultural.
O clipe aposta em sobriedade e elegância: luz natural, enquadramentos pausados, cenários simples. A biblioteca funciona como personagem, com livros e silêncio contrapondo-se à intensidade da música. Márcia Tauil transmite calma e presença, enquanto a voz se torna instrumento de memória, explorando passado e presente. O arranjo de Nakamura moderniza a canção sem perder seu legado.
“Meio‑Dia” é reflexão sobre herança, tempo e clareza — luz plena que revela beleza e marcas. Em Brasília, reafirma a força da MPB e transforma tributo em ato de continuidade.
Um clipe que toca pelo que mostra e pelo que silêncio sugere, onde cada detalhe — locação, performance e som — é testemunho de cultura viva.
Mário Pazcheco, o guardião do rock, abre seu Museu para o Almanaque Mutirum – (19 de Fevereiro de 2025)
No vídeo “Mário Pazcheco, o guardião do rock, abre seu Museu”, Pazcheco nos leva a um universo único no Guará 2, onde vinis raros, instrumentos, pôsteres e recortes contam a história do rock brasiliense nas satélites. Ele atua como memorialista e narrador, preservando memórias que poderiam se perder.
O acervo transforma-se em narrativa viva: cada objeto é um capítulo da cena local, conectando o passado analógico dos anos 70‑80 ao presente, e mostrando que a história continua pulsando. Ao ganhar registro público, o museu deixa de ser apenas particular e se torna fonte histórica viva.
Apesar de privado e de alcance nichado, o espaço revela quem guarda a memória — colecionadores, produtores, curiosos — e abre caminhos para capítulos sobre preservação, continuidade e identidade cultural, reforçando a ideia de que o rock de Brasília não se limita aos palcos, mas vive também nas casas e arquivos daqueles que o amam.
TV Ultima Hora Online — Guardião do Rock: Mário Pazcheco mantém viva a história do rock brasiliense — (4 de Abril de 2025)
No vídeo, Mário Pazcheco é apresentado como mais que um colecionador — é o guardião da memória viva do rock do Distrito Federal. Seu museu no Guará 2 é um templo de resistência cultural, repleto de vinis, pôsteres e lembranças que atravessam gerações.
A produção vibra com autenticidade: Pazcheco liga o passado rebelde dos anos 80/90 ao presente, transformando seu acervo particular em espaço público de memória. Ele surge como mediador entre gerações, provocando reflexão sobre identidade, contracultura e pertencimento.
Mesmo com desafios de acesso e alcance — comuns a acervos independentes —, o vídeo revela uma figura essencial na preservação do espírito autoral de Brasília.
Mário Pazcheco simboliza a passagem da cena do palco para o arquivo, do som à lembrança. Ele é o elo entre o underground e o patrimônio cultural, prova de que o rock de Brasília continua pulsando — agora também como memória viva.
Fantasmas do Século XX — “Lata de Coca-Cola” (Show Do Próprio Bolso, 5 de Abril de 2025)
Registro cru e pulsante do rock autoral de Brasília, o clipe captura a banda em plena ação no projeto Do Próprio Bolso — energia viva, palco real, som direto.
A “lata de Coca-Cola” vira metáfora do tempo, do consumo e do descarte, enquanto a performance visceral reafirma que o rock independente segue urgente e necessário.
Sem luxo nem filtro: apenas som, corpo e verdade. Um retrato fiel da cena brasiliense — feita à mão, com sangue, presença e resistência.
Doses Nocivas — “Quem Sou" — (Show Do Próprio Bolso, 5 de Abril de 2025)
Doses Nocivas, direto do Gama-DF, reafirma a força da cena pós-punk brasiliense com “Quem Sou (Ao Vivo – Do Próprio Bolso)”. O registro é cru, urgente e verdadeiro — sem filtros nem artifícios, só performance, luz e presença.
No pequeno palco, a banda transforma dúvida em energia: o grito “Quem sou?” ecoa como manifesto identitário. A estética simples, câmera próxima e público colado ao som reforçam a autenticidade de uma geração que faz por conta própria.
O vídeo é mais que show — é documento da resistência autoral de Brasília. Um retrato de quem ainda acredita que o rock é corpo, é entrega, é ato de existir.
Os Candangos — "Festa do Além" — (Junho de 2025)
“Festa do Além” é festa e memória, celebração e introspecção. O clipe, gravado na casa do produtor Mário Pazcheco no Guará, mostra uma cena local viva, autoral, de raiz, conectando passado e presente do rock brasiliense.
Embora seja um projeto de alcance restrito, a música mantém força e autenticidade. A letra e o conceito “Além” desafiam o público, pedindo atenção e reflexão, enquanto a produção caseira reforça o espírito de resistência e independência.
Para “Rastros de Memórias”, a faixa é ponte entre décadas: revela que, mesmo sem grandes estúdios ou gravadoras, o rock continua pulsando nos bairros satélites, adaptando-se ao novo contexto digital e preservando a memória da cena.
Mostra de Literatura - 11ª edição | Chamaeleon Podcast # 16 | Temporada 2025 — (22 de Julho de 2025)
O episódio #16 do Chamaeleon Podcast, parte da Mostra de Literatura, é um encontro pulsante de vozes e ideias. Mário Pazcheco, Carla Santiago e Marizan Fontinele conduzem uma conversa viva sobre livros, memória e a efervescente cena cultural de Brasília. No formato podcast, o diálogo flui com naturalidade — trocas autênticas, cheias de ritmo e alma, que capturam o espírito criativo da cidade.
Mais que um simples debate literário, o episódio integra uma iniciativa que celebra a leitura, a diversidade e o poder da cultura local. Apesar de seu alcance restrito, ele revela o potencial do som e da palavra para manter viva a chama da produção autoral no Distrito Federal — um verdadeiro elo entre literatura, música e memória coletiva.
Rex Na Jaula Quebrada — “Gettin’ Ready” — (Show Do Próprio Bolso, 14 de Setembro de 2025)
Rex Na Jaula Quebrada traz “Gettin’ Ready” ao palco do Rock Invaders com energia pura e atitude garageira. Sem cenários grandiosos, o trio prioriza riffs, presença e a urgência do ao-vivo, reativando o clássico dos anos 70 em Brasília. É rock visceral, direto e vivo — festa, memória e resistência da cena independente condensadas em cada nota.
Morreu Polaris — “Voltando a Fumar (ao vivo)” — Filmagem e edição: Gustavo da Rosa — (Show Do Próprio Bolso, 14 de Setembro de 2025)

