Carlini comanda noite de rock e blues em Brasília (2025)
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Uma noite para celebrar a música ao vivo, em ritmo quente e cheio de alma.
O blues vai tomar conta de Brasília neste fim de setembro!
No palco do SESC Estação Blues, sons e gerações e fronteiras se encontram
Clube do Blues de Brasília apresenta:
Mandalla (DF)
Bárbara Lima (DF)
Seu Pereira (PB) e
Luiz Carlini / Sol Ribeiro (SP)
25 de setembro de 2025
SESC 504 Sul – Alberto Villardo
E ali, debaixo da marquise de uma parada de ônibus na W3 Sul, enquanto a noite respirava blues e rock, a conversa com amigos era atravessada pela lembrança dos solos de “Agora Só Falta Você” e “Fruto Proibido”. Solos que nasceram livres, de ataque convicto e lirismo selvagem, como quem sabe que o improviso é também manifesto. Eles continuam soando atuais, vibrando como hinos que moldaram a juventude dos anos 70 – e ainda hoje conseguem fazer alguém parar no meio da avenida, esquecer o ônibus e dizer: “escuta só!”.
Não por acaso, no show, o guitarrista Kiko Peres apontava para a minha camiseta de Jimi Hendrix, como quem traduz o recado não dito: o rock é eterno, e um grande solo não envelhece – apenas se expande no tempo.
Como foi o show?
Tão intenso e veloz que a sensação era de estar dentro da banda, em cima do palco, vivendo cada acorde. As emoções se embaralhavam: encontrei minha prima Ana Flávia, por parte de mãe, a quem não via desde o enterro do nosso tio – e ali estávamos, rindo e fazendo fotos juntos, com o paraibano Seu Pereira sendo muito celebrado.
Na entrada, reconheci o vocalista da banda A Bomba, acompanhado de sua parceira. Mais tarde, ao reencontrá-los debaixo de uma árvore, não resisti à brincadeira: “Vocês estão me seguindo?”.
Também estavam por lá o vocalista Frajola, do Terno Elétrico; Passarinho, baterista da Face do Caos, relembrando sua fita demo de 1996, de título polêmico Mate um PM e ganhe um baré – que rendeu processos, dores de cabeça e ameaças (ainda bem, não fatais); além de Léo, o amante da heresia, e Mário Zan, que veio especialmente de Recife.
Naquele ponto, a sensação era de estar no meio de uma verdadeira matilha de lobos e lobas do rock de Brasília, todos vestidos como se os anos 70 ainda estivessem vivos – muita fumaça no ar, tradição inseparável dos grandes shows.
A banda que acompanhava Carlini puxou clássicos dos Mutantes, como Balada do Louco e Ando Meio Desligado. A cantora Sol Ribeiro assumiu com firmeza as vozes de Rita Lee no Tutti Frutti, depois mergulhou nos blues de Janis Joplin e ainda soltou um Satisfaction de tirar o fôlego. O clima era quase um reencontro com o repertório da Turma da Pompeia.
Luiz Carlini abriu o show cantando e emendando um solo arrebatador no estilo de Johnny Winter – prova de que continua mestre absoluto, tanto na alma das cordas quanto no poder dos botões. Comandava a banda com autoridade e brilho.
Mas o momento que mais me marcou foi quando Kaffa, vocalista da Brazilian Blues Band, se juntou ao grupo para cantar Blues do Adeus. Ali, a impressão era de que todos – músicos e plateia – se fundiam em uma só energia: gente bebendo cerveja, fumando haxixe, dançando sem parar, como se estivéssemos em um festival daqueles que fazem história.
Foi maneiro.

No flagrante, Luiz Carlini e Mário Pazcheco seguram a capa do cinquentenário Fruto Proibido, clássico de Rita Lee & Tutti Frutti. Cinquenta anos atrás, Carlini já passava por Brasília para divulgar o LP em uma feira de discos no Conjunto Nacional. Ontem, no palco do Sesc, entrou em cena com o mesmo brilho: camisa florida escura, calça justa preta, tênis surrados de rock e o indefectível chapéu preto – presença de guitarrista que carrega meio século de riffs nos dedos.
Eram três da tarde quando recebi um “alô” de Marcelo Marssal, me chamando para acompanhar a passagem de som de Luiz Carlini com a Brazilian Blues Band, marcada para as cinco. Ainda não entendo como minhas quintas-feiras conseguem ser tão agitadas. No fim, acabei chegando não para o ensaio, mas a tempo da própria apresentação de Luiz Sérgio Carlini.
A presença de Afrânio Negreiros foi decisiva: foi ele quem me aproximou de Carlini, poucos minutos antes do show, no exato momento em que o guitarrista procurava o roadie para levar seu equipamento ao palco. O encontro foi breve – coisa de minutos – mas intenso, guardadas as devidas proporções, como aqueles encontros rápidos entre grandes figuras políticas que parecem durar mais do que realmente duraram.
Carlini olhou para o estado impecável do meu exemplar de Fruto Proibido e, com humor, perguntou se eu não venderia. Chegou a brincar fazendo uma oferta. Atencioso, topou algumas fotos, e no meio da conversa comentou que ainda mora na Pompeia.
Houve um silêncio especial enquanto ele autografava a capa dupla do LP. E então veio o instante final: ficamos em pé, lado a lado, segurando juntos aquele vinil histórico, como se fosse uma volta ao passado e um pulo para o presente: um agradecimento especial a Afrânio Negreiros, que foi roadie, anfitrião e ponte essencial para que esse encontro acontecesse..
Realização: @sescdf
Produção: @clubedobluesdebrasilia
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