(re)Ligados à poesia marginal (2025)

Essa coleção marginal pertence a Fernando Gaia, guardião de memórias rebeldes. Não me peça leitura – este texto não se lê, se dedica. E é a ele.

Índice onomástico 

📌 0. Mário Pazcheco
Autor do texto que apresenta, contextualiza e homenageia a coleção de poesia marginal pertencente a Fernando Gaia. Escreve com olhar crítico e poético sobre a história, estética e importância da produção independente e da resistência cultural no Brasil.

📌 1. Fernando Gaia
É o dono da coleção de poesia marginal apresentada nas imagens. O texto é dedicado a ele como guardião desse acervo.

📌 2. Charles Baudelaire
Autor do Poema do Haxixe, citado para traçar paralelos entre a poesia marginal brasileira e a tradição transgressora da poesia moderna europeia.

📌 3. Nicolas Behr
Poeta brasiliense icônico da geração mimeógrafo. Aparece em várias obras mencionadas na coleção (como Chá com porrada).

📌 4. Turiba

📌 5. Cesar Athayde
Poeta incluído em coletâneas como 20 Porretas e Balada embriagada de saudade.

📌 6. Paulo Tovar Hümmel
Outro nome importante da poesia marginal brasiliense, mencionado em antologias e publicações como Salada Mista e Passagem subterrânea.

📌 7. Geraldo Moraes
Participa da antologia 20 Porretas.

📌 8. Climério Ferreira
Poeta citado na antologia 20 Porretas.

📌 9. Marisa da Silva
Participa da antologia 20 Porretas.

📌 10. Luis Martins da Silva
Nome frequente na coleção, autor de Rua de mim, Brasilinha, O assassinato das folhas.

📌 11. Otacílio Mendes
Poeta citado pelo prenome Otacílio e nome completo, autor incluído na coleção.

📌 12. Marcelo Dolabela
Autor de Coração Malasarte, referência da poesia alternativa brasileira.

📌 13. Ulisses Tavares
Autor do livro O eu entre nós, publicado no contexto da poesia marginal.

📌 14. Elmir Antonio Rosa
Autor do livro Aborto, que integra o acervo.

📌 15. Josias P. Souza
Autor de O espelho de um poeta, presente na coleção.

📌 16. Sérgio Fanttini
Autor da obra com título extenso e provocador: E se a gente matasse todas as baratas com um inseticida bem forte?

📌 17. José Antonio
Autor de Boca Suada, publicado em Brasília em 1979.

📌 18. Gera de Castro
Aparece como autora e organizadora de eventos literários como o I Panelão de Poemas.

📌 19. J. Régis
Poeta citado como fora do mainstream, valorizado por sua presença na cena local.

📌 20. Antonio J. Almeida Santos
Outro poeta à margem do cânone, valorizado pelo acervo.

📌 21. Zé Ramalho
Mencionado como autor que emergiu da margem com o projeto Apocalypse.

📌 22/23. Vicente Sá / Gadelha Neto
Autores do título Que diabo é isso?, parte do acervo citado.

📌 24. Don Luiz
Autor de Amor humor mortal, incluído na coleção.

📌 25. Marcoantonio
Participa de coletivos como Passagem subterrânea.

📌 26. Alexandre
Outro nome presente na coletânea Passagem subterrânea.

📌 27. Sóter / José Luiz de Nascimento Sóter
Presente em vários títulos como Salada Mista e As Piores.

📌 28. Noélia Ribeiro / Noélia Maria Ribeiro
Autora de Expectativa e participante de Salada Mista.

📌 29. Terezinha de Oliveira da Costa
Autora de Motivos, dentro do acervo apresentado.

📌 30. Samira Youssef Campedelli
Organizadora ou autora de Poesia Marginal dos Anos 70.

📌 31. Luiz Artur Toribio
Autor da obra Kiprokó – KI PRÓ KÓ, incluída no acervo.

📌 32. Marcelo Yuca
Autor de Paz armada: Criminologia de Cordel, exemplo da intersecção entre poesia marginal e cordel.

📌 33. Anísio Vieira
Aparece em nota final como alguém que comenta a experiência de leitura e a relação com o acervo.

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uma coleção rica e visualmente marcante de livros e revistas independentes, em sua maioria ligados à poesia marginal, literatura alternativa e resistência política e cultural.

As imagens que você vê aqui revelam um acervo precioso da poesia marginal brasileira, com destaque para a chamada geração mimeógrafo, que marcou os anos 70 e 80. Esse movimento surgiu como uma forma de reagir à censura da ditadura e aos limites impostos pelas editoras tradicionais.

Esses poetas buscavam liberdade de expressão e encontraram no papel barato, nas edições artesanais e na autopublicação um jeito de fazer a poesia circular. O que vemos nessa coleção vai além de livros – são registros vivos de uma época em que escrever era também resistir.

Cada folheto, cada página, carrega uma história – política, afetiva, criativa – e ajuda a contar como a poesia encontrou caminhos alternativos para existir e tocar as pessoas. É uma coleção que valoriza a mistura: a rebeldia, a oralidade, o improviso, a crítica social e até a influência do cordel.

Mais do que uma reunião de obras raras, esse acervo é um gesto de memória e generosidade. Uma verdadeira biblioteca da resistência, onde cada título nos lembra que a palavra pode, sim, ser uma forma de luta.

Essas obras  têm em comum:

Estética independente e artesanal
Capas feitas com desenhos, colagens ou tipografia manual.

Papel simples, impressão em preto e branco ou com cores básicas.

Formatos variados e muitas vezes alternativos aos padrões editoriais convencionais.

Conteúdo de resistência
Muitos dos títulos remetem a crítica social, política, e expressão de subjetividades fora da norma.

Se referem diretamente à poesia marginal, movimento surgido no Brasil nos anos 1970, durante a ditadura militar, como uma forma de expressão artística e contestação social.

Títulos como  Eu te Batizo Poesia e Posições indicam um tom provocativo e contracultural. 20 Porretas (A Poesia Unida), 16 por retas (NicolaSQS Behrasília, Cesar Athayde, Paulo Tovar, Geraldo Moraes, Climério Ferreira, Marisa da Silva, Luis Martins da Silva),  e Há vagas, sugerem antologias ou projetos coletivos, prática comum em círculos literários alternativos.

🌱 A trajetória de Nicolas Behr mostra que a poesia marginal não foi apenas um gesto de juventude passageiro, mas uma prática viva de resistência, de conexão com o mundo, e de reinvenção do olhar. Sua palavra, que antes incendiava, hoje também planta. E continua a brotar – serena, firme, feita para durar.

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Otacílio (Otacílio Mendes), Coração malasarte (marcelo dolabela), Contramão Poemas, Bate pavão, O eu entre nós (Ulisses Tavares), Rua de mim (Luis Martins da Silva)

✍️ Otacílio – Otacílio Mendes
Poeta e artista gráfico, Otacílio Mendes teve papel importante na criação de uma linguagem visual irreverente e cheia de personalidade. A capa do livro, com seu próprio retrato, traz referências à autoficção e à poesia que fala do corpo e da experiência pessoal.

📚 Panorama Geral da Coleção: A Geração Mimeógrafo em Brasília e além

️ Marcelo Dolabela – "Coração Malasarte"

Figura chave da contracultura mineira, Dolabela era um verdadeiro agitador cultural. Essa obra reúne poesia e visualidade gráfica, típica da estética do mimeógrafo. O nome “Malasarte” remete ao personagem folclórico esperto e irreverente – espelhando a atitude da poesia marginal diante do regime autoritário.

Contramão (2ª edição) – o próprio título já resume o espírito da contracultura marginal: ir contra o fluxo.

Bate Pavão – com foto documental e urbana de uma criança vendendo frutas, sugere uma poesia ancorada na realidade social.

️ Ulisses Tavares – O Eu entre Nós

Com capa impactante de uma digital – símbolo da identidade – este livro reflete a introspecção típica da geração, que mescla política com subjetividade. Ulisses Tavares foi uma presença constante na poesia marginal paulista e contribuiu para consolidar a escrita como resistência.

️ Luis Martins da Silva

Com múltiplas obras nas imagens – Rua de Mim, Brasilinhas, entre outras – Luis Martins da Silva é figura fundamental na poesia marginal de Brasília. Sua obra conjuga lirismo, ironia e uma presença forte da cidade como paisagem poética e política.

 

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Aborto (Almir Antonio Rosa), Brasilinhas poemas de brasília (luis martins da silva), O espelho de um poeta (Josias P. Souza), Alegria blues banda

️ Elmir Antonio Rosa – Aborto

Impactante, com ilustração que remete à censura, violência e trauma. Um grito visual e textual sobre os dilemas do corpo e da sociedade sob repressão.

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Eu me chamo Antonio, Carta geral

✍️ Josias P. Souza – O Espelho de um Poeta
Capa feita com colagens de palavras, no estilo concretista, mas com um conteúdo mais visceral e confessional. É um retrato do fazer poético como exposição do íntimo e do grito social. 

Carta Geral – publicação coletiva ou boletim poético; remete à tradição de jornais literários independentes da época.

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FANTTINI, Sérgio. E SE A GENTE MATASSE TODAS AS BARATAS COM UM INSETICIDA BEM FORTE? Belo Horizonte, 1980. 1ª EDIÇÃO. Mão Verde – Poemas Ecológicos, Boca Suada (José Antonio, Brasília, 1979), Balada embriagada de saudade (athayde)

Mão Verde – Poemas Ecológicos – uma das raras obras da coleção com temática ecológica, apontando para a diversidade de vozes e temas.

️ Cesar Athayde – Balada Embriagada de Saudade

O título sugere uma vertente mais lírica da geração, com forte carga emocional e pessoal, mas ainda inserida na produção independente e autodidata.

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Presença de autores (Gera de Castro, J. Régis, antonio j. almeida santos pouco conhecidos do mainstream, indicam uma valorização da cena local e de autores "à margem". Alguns emergiram como Apocalypse de Zé Ramalho.

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A menção a Brasília 1983, por exemplo, reforça o caráter local de várias publicações associadas a movimentos literários urbanos em capitais como Brasília, Rio de Janeiro, Salvador etc.

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Que diabo é isso? (Vicente SÁ/ Gadelha Neto) O assassinato das folhas (luis martins da silava), E aí?

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az muherez, Chá com porrada (Nicolas Behr), Amor humor mortal (don luiz), As piores (Sóter & CIA) Marcoantonio, Tiro ao Alvo

Outros nomes e títulos notáveis presentes 

Adriana Pedroso – Az Mulerez

don luiz – Amor Humor Mortal

Sôter & Cia – uma publicação artesanal e ilustrada

Marcoantonio – aparece em livro sem título claro

Tiro ao Alvo, há um jogo irônico com o alvo como símbolo de violência, censura e foco. Sua poesia reflete sobre a cidade, os conflitos interiores e a criação poética em meio ao caos urbano. O livro também carrega traços gráficos marcantes e tipografia característica da estética mimeográfica.

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Olhos vermelhos e Nariz aniz (Chacal), Furo na lona, Poesia, Tiro ao alvo, Livrim de gibeira pra ler a dois

📘 Chacal (Ricardo de Carvalho Duarte)

Olhos Vermelhos
Nariz Aniz

Figura central da poesia marginal no Brasil, Chacal fez parte do movimento que sacudiu a cena cultural nos anos 70, especialmente no Rio de Janeiro, ao lado de nomes como Waly Salomão e Leminski. Com publicações independentes, leituras em bares, e uma poesia que pedia o corpo e a voz, ele virou referência.

Seus livros têm traço direto, urbano e contestador. Olhos Vermelhos e Nariz Aniz apostam no absurdo, no humor seco, na gíria do dia a dia. Brincam com trocadilhos, imagens relâmpago e cortes inesperados – uma poesia quase falada, quase performance.

Livrim de pra Gibera ler a dois

Com esse título que já quebra normas gramaticais e aponta para uma linguagem oral e afetiva, o autor apresenta um poema-livro ou um livro-convite à leitura compartilhada. A capa sepia e o retrato fotográfico também remetem a uma estética do íntimo e da confissão. 

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Passagem subterrânea (Alexandre, Tovar,  Marcantônio, Sóter, Nicolas). Brasília, 1980. POESIA MARGINAL! Obra publicada em mimeógrafo.

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Expectativa (Noélia Ribeiro), Salada Mista (José Luiz de Nascimento Sóter, Noélia Maria Ribeiro, Paulo Tovar Hümmel),

Motivos – Teresinha de Oliveira M. da Costa – obra feminina com desenhos delicados, possivelmente com viés lírico e cotidiano.

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📕 Noélia Ribeiro

Obra em destaque: Expectativa

Noélia Ribeiro é uma poeta da cena marginal de Brasília, com uma escrita que junta emoção e luta. Sua poesia fala do corpo, da mulher, da vida que pulsa com força – mesmo quando dói.

A capa de Expectativa já diz muito: uma figura feminina com sangue nos seios e um feto em destaque. É impactante, simbólica, e anuncia o que vem dentro – uma poesia feita com coragem, que não se esconde.

✒️ Sua obra fala de:

  • O corpo da mulher como território de resistência.

  • O silenciamento imposto às vozes femininas.

  • Uma escrita que nasce da carne, do sangue, da vida real.

Noélia escreve com o coração exposto. Sua voz faz parte da geração mimeógrafo, mas com uma pegada muito própria: feminina, forte, visceral.

️ Noélia Ribeiro e José Luiz Sóter – Salada Mista

Obra coletiva com Paulo Tovar Hummel, mistura de vozes e estilos. É exemplar do espírito colaborativo da geração mimeógrafo. Sóter, especialmente, é referência no jornalismo cultural, poesia e edição de livros de Brasília.

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Luminares, de Turiba, sugere um caminho gráfico-poético voltado à visualidade experimental.

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I Panelão de Poemas (Gera de Castro), Poesia Marginal dos Anos 70 (Samira Youssef Campedelli).

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Kiprokó – KI PRÓ KÓ (Luiz Artur Toribio)

️ Luiz Artur Toribio – Ki Pro Kó

Com uma capa expressionista e quase grotesca, essa obra remete ao humor crítico e ao nonsense cultivado por muitos marginais. O título por si só já é subversivo, e sugere caos, mistura, irreverência.

Paulo Tovar & Vicente Sá: Dois Caminhos da Mesma Cena Marginal

Paulo Tovar e Vicente Sá surgiram juntos na efervescente cena cultural de Brasília, no fim da ditadura, quando a poesia marginal se firmava como forma de resistência política e estética. Ambos participaram de saraus, publicações mimeografadas e encontros em bares como o Beirute – espaços onde a palavra circulava livre, viva e oral.

Tovar era figura central da poesia mimeografada, combinando lirismo cotidiano, crítica social e musicalidade. Mais tarde, passou a compor e tocar violão, criando canções-poema que marcaram seus últimos anos.

Vicente Sá, com estilo performático e afetuoso, tornou-se um animador dos recitais da capital. Mesmo após perder a voz – condição que o acompanhou até seus últimos anos – continuava frequentando saraus, onde amigos liam seus poemas em público, mantendo viva sua presença poética.

Juntos, foram companheiros em coletâneas como Salada Mista, e cúmplices na travessia literária da geração marginal. Quando Tovar faleceu, em 2019, Vicente ainda fazia questão de estar presente sempre que seus versos eram lidos. Até sua morte, em 2025, permaneceu como guardião afetivo da poesia brasiliense.

Seus legados se entrelaçam na memória coletiva de uma geração que escreveu, falou, cantou e resistiu – até o último acorde, até o último aplauso.

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🌾 Cordel e Poesia Marginal

Vozes do povo, memória viva


📜 Jeitos simples de dizer muito

O cordel e a poesia marginal são formas do povo contar o que vive, sente e pensa. Não passam por grandes editoras, não seguem as regras do mercado. Nascem da rua, do quintal, da mesa da cozinha. Falam com quem costuma ficar de fora.
São escritas feitas na raça, com papel comum, tinta simples e muita vontade.


✊ Resistência em cada verso

Cordel e poesia marginal são mais que literatura: são formas de resistência.
Contam histórias de luta, mostram o dia a dia com sinceridade, misturam dor, humor, denúncia e afeto.
E o mais bonito: são feitas por quem vive o que escreve. Voz direta, sem filtro.


🖼️ Uma coleção que inspira

Nas imagens, a coleção Heróis e Rebeldes das Américas mostra isso com força.
São pequenos cordéis, cada um homenageando uma figura importante da luta popular:

  • Che Guevara

  • Zumbi dos Palmares

  • Chico Mendes

  • Tiradentes

  • Martin Luther King

  • Luiz Carlos Prestes

  • Padre Cícero

  • Antônio Conselheiro

  • ...e outros tantos.

Todos enfrentaram o sistema, defenderam o povo – e muitos deram a vida por isso.


🎨 Forma simples, impacto grande

  • Formato tradicional do cordel nordestino
    Livretos pequenos, impressão simples, papel barato.

  • Capas com xilogravuras ou desenhos fortes
    Ilustrações que lembram cartazes de protesto ou panfletos.

  • Cores marcantes
    Cada folheto com uma cor diferente – vermelho, amarelo, verde, azul...

  • Linguagem popular, rimada, viva
    Texto direto, que alcança e emociona.


📚 Memória que não se apaga

O cordel é mais que literatura: é um jeito do povo lembrar da própria história.
Não é a versão dos livros oficiais – é a voz de quem viveu, resistiu, sofreu e sonhou.
Esses cordéis são arquivos vivos da memória popular.


🌱 Encontro com a poesia marginal

Os poetas marginais dos anos 70 também criaram à margem do sistema.
Faziam seus livros em mimeógrafos, distribuíam de mão em mão, liam nos bares e praças.
A poesia deles é irmã do cordel: vem da urgência, da oralidade, da vivência direta.

Ambas as formas rejeitam o silêncio.
Ambas gritam contra a injustiça.
Ambas acolhem quem não tem espaço nos salões da cultura oficial.


🔥 Palavra que luta, arte que vive

Cordel e poesia marginal seguem firmes, vivos.
Mostram que escrever pode ser um ato político, amoroso, coletivo.
E que a arte, mesmo feita com pouco, pode dizer muito.

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A poesia mimeografada, que apareceu nos anos 1970 no Brasil, e um clássico como o Poema do Haxixe, do Baudelaire, escrito lá no século XIX, vêm de épocas e lugares bem diferentes. Mas, se a gente prestar atenção, dá pra ver várias ligações entre eles – principalmente quando o assunto é quebrar regras, experimentar novas formas de pensar e criticar o que está aí.

Nos dois casos, a poesia serve como ferramenta de transgressão, como uma forma de explorar os limites da experiência humana e social. Tem também essa coisa de mexer com a percepção, com estados alterados de consciência, como um jeito de escapar do comum e enxergar o mundo por outros ângulos.

Mesmo com estilos e formas de publicação bem diferentes – um saía em livro, o outro em papel de mimeógrafo – os dois carregam o mesmo espírito: ir contra a norma, incomodar, falar o que muitos não querem ouvir. São vozes de fora do sistema, que botam o dedo na ferida e fazem a gente pensar.

Nicolas Behr: Consciência ecológica e poética da paisagem
Com o passar do tempo, Nicolas ampliou sua atuação poética para temas ligados ao meio ambiente e à paisagem do cerrado. Engajado na defesa ecológica, passou a escrever sobre a destruição ambiental, o avanço da urbanização e a perda das raízes naturais do país. Sua poesia ganhou ainda mais profundidade ao se enraizar na terra vermelha do Planalto Central.

Uma voz que atravessa o tempo:
Mais de quatro décadas depois de seus primeiros folhetos mimeografados, Nicolas Behr continua ativo, publicando, se apresentando e plantando árvores. Ele é, ao mesmo tempo, poeta, ativista e viveiro de mudas, sem perder o tom bem-humorado, crítico e amoroso com que sempre falou ao povo.

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Paz armada Criminologia de Cordel (Marcelo Yuca)

Nota episódica

No momento, estou imerso no pragmatismo do dia a dia e lendo um livro sobre filosofia marxista, entre outros temas. Não conseguiria formar impressões concretas só olhando uma imagem; preciso ter todos os exemplares em mãos – para folhear, cheirar, tocar – para realmente sentir e compreender. (Anísio Vieira)

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