“Pense em um dia com gosto de manga” (2026)

Venezuela

“Pense em um dia com gosto de manga”

03 de janeiro de 2026 - É claro que os raulseixistas logo se ligarão que o título remete ao verso original “Pense num dia com gosto de jaca”, que o próprio Raul Seixas queria usar para abrir a sua versão de “Lucy in the Sky”, com Os Panteras.

Este sábado inscreve-se como um dia miserável na história da democracia: a agressão à Venezuela e o sequestro de Maduro o selam. Amanhã, as mesmas imagens estarão estampadas nos jornais, acompanhadas dessa estranha — e insistente — vontade de registrar que está tudo bem.

Porém, o sábado também foi mais uma jornada de ação, luzes e câmera. Gravamos uma rápida matéria sobre a situação do córrego Vicente Pires, às margens da colônia agrícola Bernardo Sayão, na QE 40, onde eu vivo com a minha família, como se ainda fôssemos colonos. É claro que será uma matéria que grita: trará imagens de mais um engodo que acontece às margens do córrego. Afinal, a draga não retirou o sedimento de dentro do leito para as margens; esse mesmo sedimento vai secando o córrego e formando ilhotas. A situação é um pouco melhor do que antes, quando a erosão castigava ambas as margens, mas, apesar disso, ainda há a sucateada galeria de concreto solta dentro do córrego, como um monstrengo.

Findas as sessões de gravação, estendi a mão e entreguei a Magu Cartabranca, editor do programa da TV Comunitária Libertária, uma manga amarela, grande e possivelmente “bichada”. Em retribuição a esse ato doce, Magu Cartabranca retirou de dentro da bolsa uma caixinha de tecido negro, entregou-me uma medalha e me anunciou como o mais novo cidadão cruzeirense. (Para quem lê de fora: o Cruzeiro é a cidade-satélite onde fica a Rodoferroviária, onde tem a Aruc, a escola de samba, e foi formada por cariocas; enfim, o Cruzeiro respira samba e rock desde que a garganta de Magu Cartabranca — o eterno vocalista do Sepultura de Brasília — respire.)

Para mim, foi um ato de enorme importância, ligado ao útero da memória: desde o meu batizado na pia batismal até esse reconhecimento, nunca tardio. Sim, sim, antes eu já havia recebido a Comenda do Ferrock, na praça do Ferrock, na QNP, e, a partir dali, passei a ser um cidadão ceilandense orgulhoso, para qualquer candango da gema. O engraçado é que moro no Guará II desde 1978; porém, sou um cidadão ceilandense-cruzeirense que acredita que Brasília é um sistema único e interligado.

Durante esse sábado corrido, de filmagem e sempre de rock, Magu Cartabranca comentou que éramos mesmo artistas. Para mim, isso é relevante. Sempre acreditei em mim como um artista sem passaporte, porém agora com medalhas de condecoração. Sempre agindo e resistindo, ainda vou ganhar a medalha do Gama; também tenho diploma de mérito cultural da CLDF. Mas o que vale, de verdade, é ser reconhecido como artista por Magu Cartabranca — isso segura a continuidade.

medalha

Medalha/comenda cultural ou institucional, associada ao Cruzeiro-DF, com caráter de reconhecimento por mérito, datada de 2025

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