SAÍ PELO TAPAJÓS E ELE PASSA POR ALTER DO CHÃO / PARÁ (2017)

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O rio Tapajós é um rio do Brasil que nasce no estado do Mato Grosso, banha parte do Pará e desagua no rio Amazonas, ainda no estado do Pará, em frente à cidade de Santarém a cerca de 695 quilômetros de Belém. Wikipédia

"A Vila mais famosa da Amazônia, com 810 quilômetros de extensão tem águas cristalinas de tom verde azulado que banham as praias do vilarejo e são as responsáveis por dar lugar o apelido de 'Caribe brasileiro'. Distante aproximadamente de 30 km de Santarém, após cerca de 40 minutos de percuso - que separam o viajante do aeroporto de Santarém a Alter do Chão, o 'clima' muda." (Edu Dias - Alter do Chão 259 anos - Jornal de Santarém e Baixo Amazonas, 10 a 16 mar. / 2017)

AMAZÔNIA PARAENSE ENVOLVE SENSORIALMENTE O VISITANTE COM A EXUBERÂNCIA DE SUAS MATAS, RIOS, PRAIAS E  ANIMAIS

por Mário Pazcheco

Grafites étnicos nas paredes da entrada da Vila de Alter do Chão revelam preocupações. Lá as pessoas estão conscientes com o problema das queimadas, da preservação dos recursos hídricos e do adensamento populacional e invasões às margens da Floresta Encantada. Contracultura total em luta com o sistema. Eu preferi conversar com os nativos a tentar entender os tantos estrangeiros que estão lá em caravanas (suiços, portugueses, angolanos, poloneses, americanos, japoneses). Vi coisas aprendi, coisas e fumei coisas. Navegando em Alter do Chão você pode esbarrar com Keith Richards ou Chris Martin claro todos anônimos até nós.
No cais de Alter do Chão basta atravessar de lancha ou canoa para curtir a areia mais branca e a água mais quente, a Praia do Amor fica meio submersa de fevereiro a agosto.
No artigo evito propositalmente a situação fundiária: os índios paraenses disputam ouro, terras e madeiras com sem-terra, fazendeiros e garimpeiros.

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Num mundo cada vez mais virtual, clonado e transgêncio Alter do Chão é a reserva das reservas naturais, acentada sobre o maior aquífero do mundo; o aquífero está posicionado nas bacias do Marajó (PA), Amazonas, Solimões (AM) todas na região amazônica chegando até a bacias subandinas.

A sapiência é uma caminhada silenciosa nos atos e nas palavras de seus guias e aprendizes da floresta, canoeiros, barqueiros. O atual cenário do turismo é um quadro bem diferente do início da década de 80 quando era muito difícil encontrar alguém do sul do país por Alter do Chão.
A base da economia é o salário mínimo. Existe desigualdade social e cultural porém a energia elétrica chega as mais distantes comunidades. Os passeios de carro, canoa, lancha das associações completam a renda do morador. As lendas submarinas são o atrativo para as estrelas do judiciário e os popstars. Vendedores de artesanato de vários pontos do país estão pelas ruas, pousadas e na praça conversando com jovens turistas americanos. Um deles, o carioca Mozart e sua cadela Mina oferecem um show na praia com facões e muita simpatia e lábia, o show de talentos é bom. Intercâmbio cultural de turistas, grupos de jovens mochileiros de todo o país, moradores e músicos da própria cidade e de Santarém se reúnem na sexta-feira no Chorinho que é uma casa de esquina para cantar e dançar animadamente. Uma viatura da polícia encosta, as ocorrências são mínimas de vez em quando prendem alguns ladrões e não passa disso, mas ledo engano seria desconhecer que os tentáculos da corrupção da Odebrecht já planejaram espigões nas ruas de Alter do Chão.
Alter do Chão se destaca pelo cinema e a fotografia seu baixo custo atrai produções independentes e universitários.

Também em Alter do Chão acontece a A Festa do Sairé a mais antiga manifestação cultural da Amazônia com artistas plásticos, músicos, artesãos, ceramistas, poetas, compositores e maestros.

 

alter 0Os chalés são organizados por cores na Pousada Alter do Chão/PA

Endereço: Rodovia PA 457 | Dr. Everaldo Souza Martins Km 25 / 68100-000 Alter do Chão
Telefone: (93) 99128-0148
www.pousadaalter.com.br/
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Imagine uma Floresta Encantada nos fundos de casa
Tiririca é uma rama que corta; tucumã é um cacho fruto de uma palmeira com cor alaranjada e fibra grudenta; o bacuri precisa da presença dos pássaros para a sua produção, sendo a fruta mais conhecida do Pará maior do que uma laranja e a cajarana tudo para uso culinário ou cosmético. Junte-se às frutas pássaros, peixes, sapos, macacos, porcos-do-mato, antas e jabutis e cobras. O cenário já é exótico e os igarapes e os iapós são as curvas do mistério e da beleza. Qualquer habitante ou visitante pode descrever o próprio encanto. A própria floresta se proteje e as pessoas que não são aceitas podem sofrer. Há também os rituais de ayahuasca. 

Repelente de formiga
"Kika" também atende pelo nome de Ideorlano é descentende do grupo indígena Munduruku, povo de tradição guerreira que dominavam culturalmente a região do Vale do Tapajós. Brincalhão passou repelente natural de formiga e usou um cipó (muuba?) para cingir a vara de pescar para enganar o peixe e falou de outro cipó, a escada-de-jabuti que ajuda na diabetes. 

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Aida, a canoeira rema no primeiro passeio pela Floresta Encantada e sua filha Amorinha nos acompanha; outro camarada é o 'Kika' guia, braço direito, amigo e pau para toda a obra, especialista na piracaia que vem a ser peixe na brasa


muiraquitan Muiraquitã - "Amuleto, talismã verde ou esverdeado, atribuído às Icamiabas (Amazonas), mulheres sem marido, que enjeitavam ou sacrificavam os filhos varões. Os mais conhecidos em jadeite e representavam uma rã. As verdes sãos disputadas a preços elevados, como verdadeiras 'joias de arte lítica amazônica'. Reside a sua fama no mito que o envolve, sintetizado por Frederico Barata no capítulo As artes plásticas no Brasil: 'Nas fontes do rio Jamundá, naa serra Yacy-Taperê (Serra da Lua), há um famoso lago, consagrado à Lua, denominada Yacy-Uruará (espelho da Lua)'. Anualmente, em certa fase lunar, as Icamiabas que na serra habitavam, faziam em determinada época uma festa, consagrada à Lua e a mãe do Muiraquitã, que habitava o fundo do mesmo lago.Dias depois de contínua festa, na ocasião em que as águas estavam serenas e a Lua nela se refletia, as Icamiabas que estavam em torno do lago, nele se precipitavam e, mergulhando, iam ao fundo receber das mãos da mãe do Muiraquitã os preciosos Talismães, com as configurações que desejavam. Recebiam-nos ainda moles, porém, logo depois que saiam d'água, endureciam. Com essas pedras mimoseavam elas os homens com quem se relacionavam, os muiraquitãs são encontrados principalmente, na área Tapajós-Trombetas, constituindo um produto artesanal dos antigos grupos indígenas que habitavam a batraquiana, são os mais afamados, mas existem igualmente, e em maior número, leitosa, de cor escura, dependendo do material que a mão artífice empregava em sua confecção: ardósa, diodrito, esteatite, jadeite, nefriete, pedral-cristal, etc."

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Ellen, a menina da janela é uma das responsáveis pelo conforto e o café da manhã; Thaís(a) a "Paulistinha"  é de Americana-SP, terra de Rita Lee, formada em Logística, ela vive numa maloca e trabalha no Restaurante Caranazal, gente finíssima

Sucos de frutas ricas em fibras, artesanato indígena e ervas medicinais
No cardápio, os sucos de acerola, maracujá, cupuaçu, graviola, cacau, tapereba, caju, muricia, açaí e abacaba. No prato: pescada, aracu, surubim, tambaqui e tucunaré sempre servidos com farinha, feijãozinho manteiga e creme de vatapá, tacacá e maniçoba.

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 Restaurante CaranazalPier da Pousa Alter do Chão onde passamos as noites

Escola da Floresta mostra atividades e seus canteiros
A Escola da Floresta é um complexo gigante dirigido por uma nova administração de técnicos agrícolas e outros profissionais. As pessoas que nos atenderam foram gentis e atenciosas, seria necessário um guia impresso com a lista de plantas de lá, todas com uma cor diferente das que você conhece.

A Casa da Farinha, a Casa de Seringueiro, o viveiro de peixe, a marcenaria, os inúmeros canteiros, as mudas, as trilhas e o observatório inserem as crianças nos conceitos de desenvolviemento sustentável. Uma outra parte da população utiliza as dependências da Escola. Tudo fluindo...

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Nos 33 hectares de área da Escola de Floresta

Ao estilo de Krajcberg
Argus e Nonato Cruz moradores da Floresta Encantada são artistas e ambientalistas quando as águas baixarem frente à moradia eles  exibirão obras feitas com trocos e raízes calcinadas  mostrado a destruição do homem na natureza. A arte que grita contra queimadas e desmatamento. Essas comunidades exibem fósseis, cada casa é um museu vivo de paleontologia que combina a própria arquitetura à identidade.

 

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Os lotes às margens do igarapé da Floresta Encantada/Alter do Chão possuem suas próprias galerias, essa é na Pousada do Arcos, onde trabalha o pintor Nonato Cruz que vendeu seu primeiro quadro em Brasília ao embaixador mexicano

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Esse caboclo aí é o Nil - Existem os aprendizes de feiticeiro, ele é o aprendiz da floresta voltado para a preservação da sua ancestral cultura indígena. Músico de sopro nas flautas, também prepara o sapó e joga capoeira. Sua conversa é a mais esclarecedora e estruturada além da mensagem da floresta, ele fala francês pois viveu na Europa. Seu tempo é ocupado no preparo de adereços de patchuli e fibra soriginais, ervas, defumações, jardins, embalagens e rótulos de óleos. Cultiva seus próprios sonhos e como aprendiz  dedica-se a causa sem parecer individual ou solitário e sim resguardado. Anda preocupado com as queimadas e como inserir o povo do Pará na conservação do meio ambiente e obter uma renda agrícola próspera. Suas preocupações:
. perda de produtividade agrícola em várias regiões
. alterações na precipitação de chuvas
. elevação do nível dos rios
. desparecimento de espécies vegetais e animais no bioma
. interferências nas atividades de caça, pesca e da lavoura

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Casa de Saulo, restaurante nas encostas com vista privilegiada, outro destaque é o prato da casa com o nome do chef

Na estrada com Ademar
O bom, educado  e prudente motorista Ademar nos conduziu aos mais longos passeios ecológicos para conhecer os principais pontos turísticos, conhecer de perto a fauna e a fauna da região. Ademar é um dos responsáveis por extrairmos essas informações.

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Denize Rezende, nasceu no Mato Grosso mas viveu boa parte de sua vida em São Paulo antes de abraçar o Pará. Grande humanista, incentivadora do ecoturismo e responsável por momentos inesquecíveis de poesia sem jamais perder a classe. Denize cantou profissionalmente e hoje é a dona da Pousada Alter do Chão. Agora temos ideia de como é dura a rotina de receber e cuidar de turistas do mundo todo

 

"A música paraense é um hibridismo de merengue, bolero e samba-canção, com ramificações pela toada, o choro, a marcha-rancho, o samba-enredo e a lambada", descreve o jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto.

O carimbó o ritmo popularizado por Pinduca não chega a ter novos representantes de peso na cena musical paraense mas ainda influência de bandas pop aos bregas, artistas jovens como Juca Culatra ou experientes como Onete representam a simpatia e a febre da região para todas as idades.

O que nós presencíamos foi o chamado carimbó pau-e-corda, em que não participam instrumentos elétricos, apenas os curimbós (atabaques) de marcação e ritmo, o ganzá, a flauta, o clarinete, o saxofone, o violão, o reco-reco e o pauzinho. Esse formato é tido como o mais autêntico. Luizinho do Restaurante Caranazal é a pessoa certa para uma explicação da origem dos passos da dança. Ele aponta uma aculturação do carimbó. E o carimbó é o ritmo ideológico, um canto de resistência da região nisso todos concordam. 

alter 02A Banda do mestre Osmarino ou dá-lhe guitarrada, chorinho, carimbó, sambão tipo Banda de Ipanema e muita gente pela estrada; e no meio disso, Luizinho produtor e dono do Restaurante Caranazal. Grande expoente defensor da cultura nativa. Malucos no carimbó às margens da floresta encantada em Alter do Chão

No mercado municipal em Santarém/PA

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No Pará tudo é lisérgico com gosto diferente e num tempo amazônico, tudo é grande vasto e saboroso. O rubronegro na direita vende a farinha do piracuí; o bolinho típico do Pará que comíamos antes da cerveja Tijuca acreditem lá a cerveja é carioca e os feirantes são muito diferentes dos da capital federal

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O menino Edu ou Dudu, Andrei e Denise - De Rondônia para Alter do Chão/Pindobal/Santarém fazendo contato com as bandas Merda Seca e Covereiros ambas de Porto Velho: família corajosa e companheira de longas viagens. O povo acolhedor tocou nosso pen drive de heavy metal

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Interior da loja Muiraquitã de artesanatos da Amazônia e do Brasil em Santarém/PA (Rua Senador Lameira Bittencourt, 131 - CEP 68005-010 - Santarém-PA), na orla do cais. Aqui comprei coisinhas para a casa como uma máscara indígena. O dono é o João que mantém a loja aberta desde 1980 no maior ato de esistência cultural, ele me explicou que por estar há muito tempo no ramo possui aquele acervo maravilhoso. Tudo no Pará é mágico, falta espaço e grana e jamais pensamos em trazer nenhuma muda de nada

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Com o pé na canoa de camisetas que atraem a atenção ou o dia pode começar nublado mas o sol vai aparecer - agradeço a minha filha Ana Luíza pela dica, a Zanza Meneses por me carregar por aí e a todos que participaram dessa viagem que ficou para ser completada numa segunda fase

 

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