Pressão é o que desperta minha criatividade (2026)
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Pressão é o que desperta minha criatividade.

Ele era colagista — e nenhum de nós havia sido aluno de Athos Bulcão. Talvez, se fôssemos, compreenderíamos melhor que uma colagem precisa refletir o caos mental de quem a cria. Ainda assim, Carlinhos Guimarães fazia as molduras gritarem com suas composições.
Eu, por minha vez, inventava títulos cinematográficos: Aventura sem Dublê, Conicções, Tropicaos, Quase Sósias e Colagem: Formatação do Caos — este último, inclusive, agradou bastante ao Carlinhos.
Era um período em que eu produzia colagens em grandes formatos, todas com um espírito lisérgico, bem sixties — pura Pop Art. Com o tempo, abandonei esse fazer: faltaram paredes, e eu me recusava a vender os trabalhos.
Havia ainda o Terceiro Artista — inquietante, visionário e perturbador. Um pouco mais jovem que eu, fã de Led Zeppelin e mergulhado em referências do ocultismo. Multitalentoso, mas, quando estava comigo, simplesmente travava — uma preguiça estranha, talvez um ciúme doentio. Nossa relação tinha algo de intenso e instável, como se vivêssemos uma convivência excessiva, quase explosiva.

A I.A criou a cor do Capitão Underground — legenda tardia de um tempo analógico, explicando o que antes era só invenção: a máquina agora coloria o que nasceu cru.
Eu é que fazia tudo: a ilustração, a ideia, o texto do balão e a intervenção gráfica — substituí o balão tradicional por uma seta apontando para baixo. Talvez por isso o C.U. tenha voado pouco. No fim das contas, C.U. não era nada além de Capitão Underground.

