Eu & Artes (2025)

: Eu & Arte

Aristides, o "Quindeu", foi um dos únicos livreiros que conheci. Gostava de três coisas na vida: mulheres bonitas, cachaça e os originais de pobres escritores. No seu escritório no Conic, mantinha uma gaveta-armário faminta por manuscritos de artistas da cidade – muitos deles já mortos, sem jamais verem seus livros impressos.

Se você me lê agora, talvez tenha um original perdido nas mãos de "Tide, Quindeu dos livros". Eu fui um dos poucos a ameaçá-lo e sair do seu escritório com o original do meu livro Lapso – afinal, "o Mário é doido".

Foi "Quindeu" quem me mostrou pela primeira vez a série Trágica, de Flávio de Carvalho. Minha mãe morrendo (nº 7), 1967. Carvão sobre papel. Claro, eram apenas litogravuras, mas aquilo me atravessou.

Um dia, ele comentou que um sujeito de uma galeria havia deixado no seu escritório uma série de Gershman. Disse que devolveria aos parentes do artista (que, à época, ainda estava vivo). "Quindeu" era doido – capaz de fazer exatamente isso.

Desde os anos 70, guardo originais, mas nada estupendo. Ontem, recebi um e-mail de um colega carioca dizendo que estava cheio das artes abstratas de Fernando Abreu, morto há 20 anos. Só agora a viúva começou a desmontar o ateliê, e um colecionador arrematou o lote. Ele comprava desse atravessador verdadeiras gemas nacionais – mas eu sabia que, na verdade, ele comprou diretamente da viúva.

No leilão dele, há xilogravuras, serigrafias, águas-fortes de Djanira, Darel, Scliar e Waldomiro de Deus (este, meu preferido, que me pirou o cabeção!). Entre os livros de arte se desmanchando, algumas raridades: As Gravuras Eróticas de Picasso e um álbum com 10 pranchas da artista alemã Käthe Kollwitz.

Pirei. Pirei. Pegaria emprestado o último trocado e compraria tudo o que pudesse. Depois, colocaria sob uma mesa de vidro de cristal e ficaria apreciando... no mínimo por mais 20 anos. Depois disso, tudo viraria pó de osso.


45º LEILÃO BrasilLivros - LIVROS DE ARTES E GRAVURAS ORIGINAIS

artes de Fernado Abreu

 abreu 01

A imagem é uma pintura ou desenho assinado no canto inferior direito com o nome do artista Fernando Abreu e o ano "72". A composição retrata uma figura feminina sentada em um banco de praça, segurando um ramo de flores amarelas. O estilo da obra é expressionista, com contornos grossos e cores vibrantes. O fundo apresenta formas abstratas em tons de verde e azul, possivelmente representando árvores ou vegetação. A mulher veste um vestido azul e tem cabelos loiros, mas seu rosto não possui traços definidos. O chão tem tons avermelhados, criando um contraste forte com as demais cores. O uso de técnicas aparentes, como giz pastel ou tinta sobre papel, dá à obra uma textura rica e expressiva.

abreu 02

A obra assinada por Fernando Abreu e datada de 1978 apresenta um retrato feminino em estilo expressionista, com traços fortes e um tratamento pictórico carregado de textura e manchas. O fundo é abstrato, com tons terrosos e uma superfície manchada que sugere um efeito de desgaste ou experimentação com técnicas mistas.

A figura feminina tem um rosto grande e expressivo, com olhos duplicados (um par acima do outro), conferindo-lhe um aspecto surrealista e onírico. Seus olhos são grandes, com detalhes verdes nas pupilas, e cercados por cílios longos e marcantes. A boca vermelha contrasta com a textura do rosto, que parece ter sido trabalhada com respingos e pinceladas soltas. O cabelo escuro é desenhado com linhas curvas e preenchido com traços soltos.

Ela usa um colar de contas laranjas, que adiciona um elemento decorativo ao seu visual. A parte inferior do quadro sugere um desnudamento sutil, com seios delineados de maneira simplificada e estilizada.

A composição é marcada por um forte impacto visual, tanto pela textura do fundo quanto pela distorção da figura feminina, remetendo a uma estética primitivista e expressionista. A sobreposição dos olhos cria um efeito intrigante, reforçando a sensação de multiplicidade da visão ou de um olhar ampliado, possivelmente remetendo a uma dimensão psicológica ou espiritual.

avreu 03

A obra de Fernando Abreu apresenta uma composição geométrica e fragmentada, explorando a justaposição de elementos fotográficos e intervenções cromáticas. O trabalho utiliza fotografias em preto e branco de telhados com telhas sobrepostas, cortadas e reorganizadas em pequenos retângulos e quadrados, criando uma estrutura modular. Essa fragmentação remete a uma estética construtivista e cubista, sugerindo um olhar analítico e desconstruído sobre a arquitetura.

Além das fotografias, a composição inclui elementos em vermelho e azul, que adicionam um contraste marcante à obra. O vermelho aparece como faixas sólidas, enquanto o azul surge em algumas áreas das fotos, possivelmente por meio de intervenções manuais ou filtros aplicados sobre a imagem. A disposição das peças sobre um fundo branco confere um aspecto tridimensional à obra, sugerindo um jogo entre profundidade e superfície.

Essa colagem visualmente dinâmica convida o espectador a reinterpretar a imagem original, transformando um simples registro arquitetônico em uma composição abstrata e experimental. A repetição e reorganização dos telhados criam uma sensação de ritmo e padrão, evocando a influência da fotografia na arte contemporânea e a relação entre construção e desconstrução na percepção visual.

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