CÁPSULA MEMORIAL PARA BRUNO FRANK (2026)
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CÁPSULA MEMORIAL PARA BRUNO FRANK
mário pazcheco
Ele era um menino metido em suas vestes, com cabelo afro, que ao passar chamava a atenção. Podia ser ator, poeta ou mesmo personagem da cena marginal do Gama.
Coube a mim preservar uma amostra importante da vida de Bruno Frank, ou seja, suas memórias através das coisas que lia, que moldavam seu interesse e sua psiquê. Recebi um lote de revistas das mãos de Révero Frank, seu irmão.
O que o lote disse?
A Serafina / Folha de S. Paulo com Willem Dafoe mostra o interesse de Bruno Frank em colecionar capas de gente que transita entre cinema e música.
Do outro lado, o suplemento PROSA / O Globo — na capa com as baianas de turbante no meio do verde. É o Brasil profundo, o oposto do Dafoe: o sincretismo.
E a matéria O barulho da lenda, de junho de 2015, mostra o fascínio que o jovem Bruno Frank, na flor dos 28 anos, tinha por seu ídolo Jimi Hendrix.
Os recortes da cápsula literária de Bruno Frank abrangem Shakira al volante e páginas sobre cinema. No campo da literatura, ele leu Carlos Drummond: Um anjo de sete faces, escrito por Vanessa Leão. Acompanhava as crônicas de Maria Paula no Correio Braziliense. Da Rolling Stone, ele curtia Tinindo trincando Novos Baianos e o melhor da música brasileira, matéria de Cristiano Bastos.
Bruno Frank era uma mistura de Jimi Hendrix com Acabou Chorare. Suas leituras eram sobre tributo à cultura francófona, a riqueza cultural de países de língua francesa. Também curtia Gil e Caetano.
Eram essas coisas que pairavam na cabeça ligada de Bruno Frank quando ele tinha 28 anos, entre 2012 e 2015. Foi uma espécie de carta aberta que ele me legou.
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