Cu
(Mario Pacheco)

Cu®tura
ingredientes do condicionamento
brutal – este é o texto de uma tecla só aquela
que chega ao fim da margem
Ataques de atabaques não
são mais ouvidos há muito; não há
risco eminente de extinção, o instinto auto-preservativo
está dormindo. Tantas coisas leram e se perderam ali muito
tempo – não há espaço para uma reflexão
afinal tudo esta agendado: - vai ser a$$im... Vai ter de ser a$$im
e a maior das trapaças continua sendo a mentira –
enfim, não somos vários eus de uma mesma pessoa
na net? A agressão cosmopolita beira o insuportável,
a guitarra venceu há mais de um século ela está
na moda e de tempos no tempo um par de mãos ágeis
reinventa o modo de tocar.
Meus artigos indefinidos atacados
por parceiros e amigos e não é que o obscurantismo
virou religião urbana alternativa satélite orbital
do umbigo?
Cu!tura
A deusa da música deve estar
enfezada, o emblomation (falar sem dizer nada) tornou-se
a língua oficial de muitos artistas, idioma que se globaliza
e a saga das guitarras tonitroantes fazem as caixas silvarem –
música feita no palco ali agora ao vivo sem a classe da
reportagem ao vivo da tevê aberta, música banguela
hilária música boçal. Já que os míopes
não conseguem ler as letras no encarte dos cds poderiam
recorrer ao inglês da tevê, ligá-la baixinha
e ficar ouvindo ou mesmo assistir aos filmes sem legendas, no
mínimo recursos ao alcance de qualquer postulante a vocalista.
Cu-tura
Desprezando a sensibilidade tudo
se armou no confronto ideológico não há mais
parâmetro de qualidade, não há mais credibilidade
ou identidade tudo pára na barreira vencida pela satisfação
pessoal: “meu cd, minha banda”. Um batalhão
de porcos grunhindo num palco a ponto de ceder enquanto que cabeças
cheias de substrato de pó e álcool são os
devotos que merecem toda aquela música infernal!
Devoção por devoção:
“O Jeremias, maconheiro sem-vergonha, organizou a Rockonha
/ E fez todo mundo dançar”, esta mentira estampa
o evangelho de muito postulante a ‘star’ na terra
dos ‘brothers’ de óculos escuros, eclodindo
num ‘maneiro’ carregado de sotaque carioca.
