Serguei, a Leila Diniz do Rock
Serguei, a Leila Diniz do rock:— Sorrir não é rock'n'roll!
(Mário Pacheco - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )

Numa festa em San Francisco, Janis tinha levado um ator de cinema e cantor Kris Kristofferson, aliás muito bom cantor, fomos a festa e ele estava lá; foi ele quem convidou Janis.
Durante a festa, os dois muito doidos, ele falou: Hey you! Venha pra cá. E Janis ajoelhando-se disse: "O que é príncipe?". Ele aproveitou e segurou a cabeça dela entre as suas pernas e apertou, realmente a coisa ficou preta pois ele não largava mais a cabeça dela dalí e aí o pessoal da festa começou a ficar assustado e mandou que ele parasse e Morrison não parou ficando histérico, enquanto Janis batia em suas pernas, quando ele a soltou estava vermelha e rouxeada. (Serguei).
Conta-se que Janis vingaria mais tarde batendo nele com uma garrafa de vinho em sua cabeça na saída da festa...
Se não fosse o rock'n'roll estava caquético por aí. (Serguei).
Sou extremamente sensível. Acho que as pessoas ainda são fascinadas por rock, e rock é uma forma de ver o mundo. Não sou dono da verdade, mas nesses anos todos aprendi muitas coisas. Fui ovacionado, vaiado, e nunca ganhei dinheiro. Hoje não faço concessão, porque toda vez que fiz me envergonhei. Reconheço, por exemplo, que minha discografia é deplorável. (Serguei).
Sérgio Augusto Bustamente, nasceu em novembro de 1933. Filho único de um alto técnico da IBM Corporation, com High-School nos Estados Unidos. Demitido por ter feito streap-tease em pleno vôo da Varig direto para a TV Globo.
Lábios de silicone, franja de Keith Richards, figurino absurdo, saltos plataforma, lentes de contato e perucas azuis ou vermelhas. Oculos espelhados escondendo as pupilas de gato. Maquiado requebrando selvagemente e aquele apelo sexual, todo esse apetite ainda em 1966, e no programa do rei da Jovem Guarda. Visual que só se via no GreenVillage ou na Carnaby Street.
Ao assistí-lo, Arnaldo disse : — Very strange. Sérgio confirmou — Very strange!
O mais radical dos roqueiros brasileiros, um anjo caído? Bissexual antes da androgenia e imutável sim, por mais de quatro décadas!
Em 1973, no programa do Flávio Cavalcanti ganhou o Troféu Policarpo de “pior cantor do ano” ao lado de Gal Costa.
Se a mídia nutria estima por Serguei – os militares o tachavam de inconveniente.
No meio dos anos 70, Serguei novamente reapareceu havia retornado de NYC...
Ouvíamos muito um disco-pirata chamado ‘JAM 68’, gravado no The Scene em NY, com Jimi Hendrix e Johnny Winter nas guitarras, Jim Morrison nos vocais e Buddy Miles na bateria e Serguei da platéia acompanhando – toda vez que olhava as efígies de Hendrix/Morrison/Brian Jones eu pensava em Serguei agora também penso em Leila Diniz.
Garrafada de Jack Daniels na cabeça de Jim Morrison e ele vai te empurrar um ácido goela abaixo se você Serguei não controlar este tique! Avisou a amiga Janis Joplin. A calça índigo blue mandada para a lavanderia pela Dona Maria, mãe do roqueiro e os versos e desenhos da viagem com Janis água abaixo.
De maiô nos cabarés da Praça Mauá e Copacabana entrava com uma pá na mão, gritando “e agora uma pá de mulatas”, para a entrada das moças.
De 1973 a junho de 1975, trabalhou na Centaurus Production, uma empresa que, o escalava para shows. Foi o primeiro roqueiro brasileiro a cantar para adolescentes americanos. Recortes de jornais americanos documentaram suas passagens também por boates cantando Elvis Presley e Chuck Berry.
— Iggy! Iggy Iggy! Quem estava gritando era Andy Warhol e Serguei respondeu que não conhecia nenhum Iggy.
Em 1977/78, Serguei samba-salsa se apresentava em bailes de subúrbios do Rio e isso o deixou deprimido e ele novamente voou para os Estados Unidos. Voltou em 1981, seu pai estava morrendo...
Um ano depois, shows no Rock Voador e no Noites Cariocas com apoio da banda de Celso Blues Boy tocava Move over, Instant Karma! e até uma versão de O Bom de Eduardo Araújo do seus primórdios da Jovem Guarda e se viu novamente na moda.
No Saque do Rock apresentou-se com uma banda nova, Cerebelo.
Durante esta década seu repertório não variou e ainda incluía duas surpresas Tropicália e Brasil, a eterna Summertime, e outros clássicos Cry on a river, Satisfaction, Help!, Mabe, e Fascination. Serguei sempre conseguiu ser mais feroz cantando originais em inglês.
Em 83, saiu um compacto que nunca rolou – proibido pela Censura ninguém ouviu Mamãe não diga nada ao papai. Víamos Serguei na TV. Me ligava na sua plástica, seu clássico era uma versão para Simpathy for the devil. E irremediavelmente alguém perguntava — Tá dublando? E eu respondia, — Pegou o espírito da coisa!
No final dos anos 80, eu perguntei ao Zé da Gaita pelo Serguei, — Ta lá em Saquarema... Depois saquei o preconceito...
1990. Circo Voador. Cinco anos sem se apresentar no Rio, Serguei decidiu voltar à ribalta. Enquanto o público aguardava Luis Melodia, Serguei deu o seu recado, estava lançado sua candidatura ao Rock in Rio, naquela apresentação ele já sabia o que faria no maior festival do mundo...
No final desse ano em entrevista gigante ao ‘Pasquim’ revelou a outro decano, o cartunista Jaguar, que não gosta de veado e que nunca teve crise existencial pois isso é coisa de viado.
Em janeiro de 1991, conquistou o público, fez o que prometeu naquela noite com Luis Melodia, pediu para a platéia sentar antes de cantar Summertime e no final, desceu de microfone em punho para cantar no gramado. — Foi emocionante! Não foi vaiado pelos metaleiros e ainda saiu no lucro gravando o LP Serguei (BMG - 1991) - não o definitivo...
Na terceira edição do "Rock in Rio", surgiu vestido de ursinho Blau-blau! ao lado do ex-Absyntho Sylvinho.
No ano de 2000, candidado a vereador em Saquarema pelo Partido Liberal recebeu apenas nove votos e perdeu pela segunda vez consecutiva - em 1996 teve 246. Sua bandeira, como no outro pleito e em toda a sua carreira, foi "Rock'n'roll para todos".
No aniversário da Baratos Afins em maio de 2003, Serguei foi o grande homenageado da noite e os meninos da Mákina du Tempo, (Célio/Bruno/Anderson/Lya/Rodrigo) injetaram pujança e cobraram um desempenho mais rocker de Serguei se divertiu e se sentiu como se estivesse voltando aos anos 60... Nessa noite, Serguei deixou mais uma vez patente que só abandonará o rock’n’roll quando não mais puder cantar. Serguei empenha-se em evitar as autocomiserações coisa que aprendeu com Janis Joplin e que orgulhosamente provocou mudanças nos costumes como Leila Diniz.
Luis Carlos Calanca me falou da felicidade e da facilidade de se trabalhar com Lanny Gordin e Serguei e quem sabe dessa feita o disco Serguei Sings Joplin não sai de vez?
Rock'n'roll a vida de Serguei

foto: Marcos Ramos
Botafogo-RJ. Em maio último, durante seu pocket-show para a grife Cavalera, no Rio Sul, Serguei com a mão no pau e a língua em ato erótico e interpretações rasgadas de Love of my life e Satisfaction, arrasou! O público adorou seus requebros, a irrevência e o visual setentista: lentes de contato azul-piscina, calça de couro, luvas, tatuagens por todo o corpo e unhas pintadas. Depois de subir na mesa e gritar "Rock'n'Roll, minha vida". Serguei sapecou um festival de bicotas carimbando de Preta Gil a Sidney Magal.
Lendas
Ed Lincoln produziu o primeiro disco, "Eu não volto mais" (parceria do organista e Rei dos Bailes Ed Lincoln com Orlandivo) e de "As Alucinações de Serguei", em 1966, na gravadora Equipe. Ed Lincoln disse que Serguei não era cantor e que teria uma carreira meteórica.
- Cantor, para mim, é Maria Callas. Eu sou um intérprete, e um entertainer. Há 40 anos divirto as pessoas - diz Serguei.
"Operação Margarida", seu primeiro LP saiu pela Continental em 1968 - e a discografia completa-se com 9 compactos depois...
Seu primeiro CD foi uma coletânea "Serguei" lançada ao final de 2002 pelo selo paulista Baratos Afins.
Em seu programa de estréia, Serguei errou a marcação e saiu do palco pela porta errada, dando um esbarrão em Roberto Carlos e que quase levou a nocaute o rei da Jovem Guarda...
Em março de 1986, o produtor José Accioly, da gravadora Top Tape mandou um telegrama para o Serguei só que ninguém sabia ao certo o endereço do cantor... E mais uma vez o prometido e aguardado Serguei Sings Joplin ficou nas expectativas...
Bibliografia
"Serguei um anjo maldito" de João Henrique Schiller, lançado em 1998. - É meu cartão de visitas, assim as pessoas podem saber mais sobre mim.






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Valeu.
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