Murro em Ponta de Faca (2025)

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Murro em Ponta de Faca

Para Tiago Rabelo

Hoje de manhã acordei com vontade de ouvir rock – e ouvir rock, para mim, é sempre em alto e bom som. Com a tecnologia de hoje, dá para perceber detalhes e instrumentos que antes pareciam soterrados, escondidos sob as lápides dos velhos discos.

Comecei com Led Zeppelin. Confesso: nos dias em que posso, é com eles que abro o dia – e não canso, não, mesmo sem estar grávido de som algum.

Então é isso: estou ouvindo rock, de várias formas, com o mesmo entusiasmo de antes. É como redescobrir um velho amor. E, claro, enquanto a trilha toca, sigo com uma porção de coisas sérias para resolver no carro da vida.

Um balanço geral, né? Conheço alguns que vivem na pele a teoria de dar murro em ponta de faca – e é literalmente isso: insistir no impossível, sangrar por teimosia. Muitos sonhos, toques de realeza, esperteza, individualidade e vontade – mas sempre há alguém que precisa bancar a aventura alheia.

Vivemos em busca de algo que renda algum trocado, uma brecha para respirar. Mas sem dinheiro e sem fantasia, o mundo se torna um lugar abstrato, cruel e oportunista. “Chega de choro”, dizem – mas seguir atento, observando as quatro estações da vida, ainda é uma forma saudável de preservar a tradição.

Os roqueiros de hoje já não cantam mais “sou livre”. Estão à beira do próprio cinismo, tocando a vida como quem ainda acredita no próximo acorde, mesmo sabendo que a faca ainda está ali – à espera de outro murro.