"Esta é a vida mais estranha que algum dia vivi” (2021)

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"ESTA É A VIDA MAIS ESTRANHA QUE ALGUM DIA VIVI”

escrito por mário pazcheco
revisão de Roberto Gicello

Não só o mundo está moribundo. Eis que o Plano Piloto, vazio, desertado e deserdado, sem o poder e as opções da grana torna-se retrógado, sem vida. Vivem, ainda, os blasés.

Paulo Iolovitch, o pai espontâneo das artes, abandona a 304 Sul e desloca-se para a 405 Sul, de Uber. No destino, encontra Mário Pachecão, deprimido, fumando um cigarro debaixo da árvore, num acanhado resmungo: "preciso de um cigarro, estou tenso!". Súbito, toca o olifante das obrigações e chega a hora e a vez de descarregar a caixa de som, esticar a extensão e ajustar a tomada, agora é hora de deixar tudo como compraz a ocasião. Um longo papo de beduíno atrasa a transação. O PC funciona com sua bateria. “Som, maestro! Carlos Cachaça!”, para varrer essa imobilidade que nos transforma em invisíveis. Iolovitch, na cadeira de rodas, curte o Sol e a companhia de Rose Bom Bom, que lhe retribui com todo amor verdadeiro. Ela discorre sobre atividades de espetáculo de uma drag Queen, elegantérrima, sob a seca luz do dia. Teca, à sombra de uma árvore, alarga uma sinfonia de canções da MPB, abrindo com Sérgio Sampaio – pra mim estranho demais –, e prossegue com Edvaldo Santana. Como um menino, Iolovitch se lambuza com dois cachorros-quentes e refresca-se com o copo de suco de uva da vinha da Rita Mangueira. Outra figura que prestigia o evento é a Wilza. Rita e Wilza são inaderráveis apoiadoras e confabulam, tragando cervejas e cigarros. Como é estranho o tédio da ressaca – o único anticlímax que ocorre depois do naufrágio. Teca brilha intensamente tocando MPB de exortação à luta e à resistência, toca para os ouvidos da burguesia, que não estão nem aí e sequer atinam no que escutam, pascácios ignorantes, comedores de caviar. Tocamos teimosamente em insistente pedagogia sonora, agarrados à última nota de Humanismo possível.

Paulo Iolovitch adorou os fados. Como gentileza gera gentileza, arte atrai arte, e pinta uma garota quase da minha idade, pintora de abstratos e nus. Solícita, ela vai até sua casa e traz um tê, objeto sine qua non das parafernálias musicais.

Dois garotos da idade do meu filho descem a passarela de mãos dadas. Nem tudo foi em vão. A moçada do quiosque dança ao som odara dos baianos. Taninha apareceu, vinda do Brechó e junta-se à conversa. Paulo Iolovitch degusta o tradicional quiBeirute. Vinho e telas balouçam dançantes no varal. Dou um beijo em Paulo: "Se segura malandro, tamo junto", naquele repertório de malandragem da rua que ele tanto gosta. A isto ele responde com ares definitivos: "Esqueça o passado".

Mário Pacheco Produções – faça humor ou faça merda – agradece a Dudunski pelo magistral flyer. Agradece a Rita Mangueira por dividir o fardo da coisa bem feita. Agradeço ao casal Wilza e Teca pela camaradagem, fidelidade energia e inspiração musical elevada. Agradeço a Tânia pela foto.

Paulo Iolovitch agradece à Rose Bom Bom e à Walquiria, do espaço Albergue Da Invenção, e a todos que apareceram.

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