TED CAREY E ANDY WARHOL (c. 1957–1962)
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TED CAREY E ANDY WARHOL
Amizade, formação artística e o nascimento da Pop Art (c. 1957–1962)
Todas as informações deste texto foram retiradas do site Warholstars.org (https://warholstars.org/).
Nota inicial
Embora Andy Warhol seja frequentemente retratado como um artista que só passou a colecionar arte após alcançar reconhecimento, ele já vinha comprando obras desde o final dos anos 1950. Seu principal companheiro nessas incursões foi Ted Carey, amigo íntimo e parceiro constante de visitas a galerias.
Uma de suas aquisições iniciais mais conhecidas foi Light Bulb (1958), de Jasper Johns — um desenho a lápis com lavagem em grafite — comprado por Warhol na Galeria Leo Castelli por US$ 350, após negociação (o valor pedido era entre US$ 400 e 500). (Fonte: Warholstars.org)
c. 1957 — TED CAREY CONHECE ANDY WARHOL
Ted Carey havia se mudado da Filadélfia para Nova York em 1954. Segundo seu próprio relato publicado no Warholstars.org, conheceu Andy Warhol por volta de 1957, em uma exposição de desenhos de gatos realizada no Serendipity 3, então um pequeno espaço híbrido entre restaurante e boutique no porão de uma brownstone.
A mostra chamava-se provavelmente Cats with Hats. Pouco depois, Carey voltou a encontrar Warhol casualmente na cafeteria do zoológico. Warhol lembrou-se dele e pediu que posasse para desenhos. A partir desse encontro, tornaram-se amigos.
“Ele passou lá e fez um ou dois desenhos meus… depois disso nos tornamos amigos. Naquela época eu trabalhava na NBC, e pouco depois perdi meu emprego.” (Fonte: Warholstars.org)
TED CAREY, JOHN MANN E O CÍRCULO ÍNTIMO
Após conhecer John Mann em uma festa, Carey levou-o para conhecer Warhol. Mann havia se mudado para Nova York após se formar em Cambridge para trabalhar com publicidade. Warhol também desenhou Mann — incluindo um famoso episódio em que desenhou seu pênis, decorado com um narciso, episódio lembrado com humor por Mann:
“Antes que eu percebesse… eu estava sentado de calças abaixadas, com um narciso enrolado em volta do meu pênis.” (Fonte: Warholstars.org)
Carey recorda ainda fins de semana na Filadélfia em que Warhol desenhava figuras como Cecil Beaton, inclusive um desenho em que Beaton aparece com uma rosa entre os dedos dos pés. Beaton, por sua vez, também desenhou Carey e Mann.
O AMBIENTE SOCIAL E ARTÍSTICO
Segundo relatos reunidos no Warholstars.org, o apartamento dos Careys na East 88th Street era um ponto de encontro relaxado, carregado de camp, onde figuras como Noel Coward surgiam inesperadamente.
Um episódio célebre descreve Cecil Beaton desenhando Carey e Mann em uma cena encenada de intimidade, enquanto Warhol observava por cima de seu ombro. Ao final, Warhol pediu os desenhos, mas Beaton recusou-se a entregá-los. (Fonte: Warholstars.org)
WARHOL, CAREY E A CENA DAS GALERIAS
Andy Warhol descreveu Ted Carey como seu grande companheiro nas visitas a galerias no fim dos anos 1950:
“Ted e eu acompanhávamos juntos a cena artística, mantendo-nos atualizados sobre o que estava acontecendo.” (Fonte: Warholstars.org)
Carey teve papel decisivo em estimular o interesse de Warhol por belas-artes. Em um episódio no MoMA, Carey entusiasmou-se com uma colagem de Robert Rauschenberg (uma simples manga de camisa), enquanto Warhol reagiu com desprezo:
“Ele disse: ‘Isso é uma merda. Qualquer um pode fazer isso.’
E eu disse: ‘Então por que você não faz?’” (Fonte: Warholstars.org)
Esse confronto é frequentemente citado no Warholstars.org como um momento-chave na virada conceitual de Warhol.
EDWARD WALLOWITCH E A GOLD BOOK (1957)
Carey também recorda a proximidade de Warhol com o fotógrafo Edward Wallowitch, outro amigo fundamental do período inicial.
Em 1957, Warhol publicou por conta própria A Gold Book, dedicado a:
“Boys / filles / fruits / flowers / shoes / and tc [Ted Carey] and e.w. [Edward Wallowitch].” (Fonte: Warholstars.org)
O livro evidencia a centralidade de Carey e Wallowitch no universo afetivo e criativo de Warhol antes da Pop Art.
FAIRFIELD PORTER E O RETRATO DUPLO (1960)
Em 1960, o pintor Fairfield Porter realizou um retrato de Warhol e Carey sentados juntos. A intenção inicial era dividir a tela ao meio, mas a composição tornou isso impossível, obrigando Warhol a comprar a parte de Carey. (Fonte: Warholstars.org)
ROY LICHTENSTEIN, CASTELLI E A CRISE (1961)
Ted Carey foi o primeiro a ver as pinturas de Roy Lichtenstein na Galeria Leo Castelli e correu para avisar Warhol:
“Prepare-se para um choque… Castelli tem um armário cheio de pinturas de histórias em quadrinhos.” (Fonte: Warholstars.org)
Warhol acreditou que Lichtenstein havia se inspirado em suas próprias pinturas exibidas na vitrine da Bonwit Teller, em abril de 1961. Embora Lichtenstein tenha negado conhecimento prévio, o episódio deixou Warhol profundamente abalado.
Enquanto Lichtenstein assinava contrato com Castelli em outubro de 1961 (US$ 400 mensais), Warhol permanecia sem marchand. (Fonte: Warholstars.org)
OLDENBURG, ROSENQUIST E O DESESPERO
No final de 1961, Carey levou Warhol à exposição The Store, de Claes Oldenburg, que o deixou “profundamente deprimido”. Pouco depois, Carey viu obras de James Rosenquist na Green Gallery e relatou o impacto a Warhol, que reagiu com ressentimento:
“Se você comprar uma dessas pinturas, nunca mais falo com você.” (Fonte: Warholstars.org)
MURIEL LATOW E A IDEIA DAS SOPAS
Após um jantar com Carey, John Mann e Muriel Latow, Warhol implorou por uma ideia que o diferenciasse. Latow exigiu US$ 50 antes de falar.
Ela sugeriu duas possibilidades:
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Pintar dinheiro
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Pintar algo absolutamente comum, como uma lata de sopa Campbell’s
Warhol aceitou ambas como ideias “fabulosas”. Pouco depois, surgiriam as Campbell’s Soup Cans. (Fonte: Warholstars.org)
TRABALHOS COMERCIAIS E ASSISTÊNCIA
Carey trabalhou como assistente de Warhol em projetos comerciais, incluindo:
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Amy Vanderbilt’s Complete Cookbook (1961) — embora Carey não tenha sido creditado
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Projetos editoriais inacabados, como The Cock Book, composto por desenhos eróticos feitos a partir de amigos e conhecidos (Fonte: Warholstars.org)
RELAÇÃO E LEGADO
Carey permaneceu amigo próximo de Warhol até o início dos anos 1960. Acompanhava-o a museus, galerias e compras de arte, influenciando diretamente sua formação estética.
“Andy e eu costumávamos circular pelas galerias e decidir comprar arte… isso estimulou o interesse dele.” (Fonte: Warholstars.org)
AGOSTO DE 1985 — MORTE DE TED CAREY
Ted Carey morreu em agosto de 1985, aos 53 anos, de uma doença relacionada à AIDS, uma semana antes da abertura de sua primeira e única exposição individual, em East Hampton. (Fonte: Warholstars.org)
David Bourdon o descreveu como:
“companheiro de longa data de Andy nas idas a galerias e nas compras.” (Fonte: Warholstars.org)
“A morte de Carey encerra não apenas uma amizade, mas apaga uma das figuras-chave do período em que Warhol aprendeu a olhar, escolher e reagir ao mundo da arte.”